Motorista nega ajuda a deficiente
Lúcio Horta
Mário CésarNo pontoA assistente comercial Elaine com Terezinha, da Adefil: descaso com deficiente provoca revoltaA falta de atenção a um deficiente físico, na última semana de janeiro, em pleno Terminal Urbano de Transporte Coletivo, no centro de Londrina, revoltou a assistente comercial Elaine Cristina Pereira. Ela conta que estava no piso inferior do Terminal quando viu um senhor em cadeira de rodas pedindo ajuda para ir até o piso superior, onde pretendia alcançar a linha 308, para o jardim Bandeirantes (zona oeste). Como ninguém se dispôs a ajudá-lo, ela mesma se encarregou de empurrar a cadeira de rodas pelas rampas, até o ponto.
Lá em cima, avisei o motorista que ele queria entrar no ônibus e precisava de ajuda. Mas o motorista disse que estava atrasado e não quis ajudar. Pedi também para o cobrador e a resposta foi a mesma. Perguntaram ainda quem iria tirar o senhor do ônibus quando ele tivesse que descer, conta Elaine Pereira. A minha repulsa cresceu ainda mais. E o senhor disse que já estava acostumado a ser tratado daquela maneira.
Incomodada com a situação, mesmo depois que viu o senhor embarcar, Elaine foi até o balcão de informações da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) para saber qual é o tipo de procedimento que deveria ser adotado nestas situações. Lá, foi informada que a companhia iria enviar correspondência à Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) pedindo treinamento específico aos funcionários. Elaine também ligou para a TCGL, mas não foi atendida pela responsável pelo treinamento dos funcionários. Achei isso tudo uma grande falta de respeito.
A situação presenciada pela assistente comercial não é nova para os portadores de deficiência física em Londrina que precisam utilizar o transporte coletivo. Moradora do jardim Ipanema (área central), Luzia Terezinha Fantei Soares, da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), conta que diariamente utiliza as linhas 208 ou 202 para chegar até o centro da Cidade. Ela garante que várias vezes os motoristas se negam a parar o ônibus quando vêem um deficiente físico esperando no ponto.
No último domingo, por exemplo, não foi diferente. O motorista que eu conheço estava de folga e o primeiro ônibus que passou não parou, passou reto, lembra Terezinha. Ela diz que um motociclista percebeu a dificuldade, encostou o veículo e esperou com ela até o próximo ônibus passar. Quarenta minutos depois, finalmente, ela conseguiu embarcar, com a ajuda do motociclista. Tem motorista que não pega mesmo. Até compreendo a dificuldade deles, mas fazer o quê? Não consigo subir sozinha e preciso de ajuda. E antigamente era pior ainda. Agora até que melhorou bastante. Mas vai muito da boa vontade do motorista.
Nilma Ruth de Oliveira, também da Adefil, diz que nunca utilizou o serviço de transporte coletivo na Cidade. Ela não quer passar por constrangimentos. Nem sempre tenho em casa o carro à disposição. Mas o motorista, na verdade, não tem obrigação de ajudar a colocar o deficiente dentro do ônibus. Inclusive muitos têm problemas na coluna e não poderiam fazer isso, observa Nilma. Ela afirma que a situação presenciada pela assistente comercial Elaine Pereira não chegou até a Adefil. Por isso, a entidade prefere não tomar uma posição oficial.





