Motorista fotografa tipos de caminhões
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de março de 1997
Therezinha Thomaz Correspondente de Assaí 
Therezinha ThomazPersistênciaQuando não pode ir até o local, Scheel pede para alguém fazer a foto e mandar para eleFalar sobre marcas, modelos e fabricação de caminhões, faz do motorista profissional Flávio Scheel, morador em Assaí, um profundo conhecedor do assunto. E se alguém duvidar do ano de fabricação e modelo de algum caminhão, é só entrar em contato comigo que eu provo através de fotos.
Scheel diz ser apaixonado pela marca Volvo devido a resistência dos seus modelos antigos e também dos atuais que seguem a mesma linha de fabricação. Com 51 anos, ele conta que essa paixão vem desde a infância. Toda sua vida foi envolvida com caminhões. Seu pai, o aposentado Helmut Scheel, também foi caminhoneiro.
A partir de 1968, começou a colecionar fotos de caminhões porque antes disso, no Brasil só havia caminhões importados. Depois é que surgiram as multinacionais. Sua coleção já está em torno de 700 fotos. Além dele, Scheel só tem conhecimento de um outro colecionador - o seu amigo Primo Romeu, de Ribeirão Preto (SP), que possui mais de mil fotos, todas em tamanho grande. Scheel acha curioso o hobby desse amigo porque ele não é motorista. Trabalha na farmácia da Santa Casa de Ribeirão Preto.
Câmera na mão As fotos da coleção de Scheel são conseguidas através de amigos caminhoneiros. Quando não pode ir até o local onde existe um caminhão diferente, pede para alguém fazer a foto e mandar para ele. Suas viagens são restritas aos estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. A primeira coisa que eu faço antes de sair para uma viagem é pegar a máquina fotográfica para fotografar modelos de destaque, conta.
Entre as fotos da coleção existem algumas interessantes que o colecionador faz questão de ressaltar. Entre elas, a do caminhão inglês marca Aclo, ano 48, com dois eixos direcionais, que era utilizado no Brasil pela transportadora Bosca, de Curitiba. Nas décadas de 40 e 50 essa firma possuía cerca de 50 veículos e só trabalhava no transporte de combustível, passando por Assaí, pela rodovia do Cerne.
O Reo Cometa, ano 51, de fabricação americana, foi considerado o caminhão mais resistente na parte de lataria, muito usado no transporte de toras. Em 1938, a Mercedes-Benz fabricava o seu maior modelo, vendendo somente o torpedo porque a cabine era fabricada no Brasil, em serviço artesanal - armação de madeira forrada com chapa de ferro ou alumínio.
Sob encomenda O Dodge americano modelo Buldog J.A., ano 50, tinha um degrau a mais na cabine. Por ser um modelo especial, não era fabricado em grande quantidade, somente sob encomenda. O Magirus-Deust, modelo 51, com motor refrigerado a ar, era o único da fabricação alemã, e saiu igual até 1956. Uma raridade da afabricação alemã foi o Dodge ano 50, modelo R.Y., com dois carburadores. Por sua vez, o Dodge ano 46, tinha quatro rodas raiadas originais.
Quanto aos caminhões japoneses, a marca Hino apresenta modelo com dois eixos originais. No Japão, todos os caminhões têm cerca de proteção entre os pneus dianteiro e trazeiro para evitar acidentes com bicicletas e motocicletas. Trata-se de um detalhe da linha de montagem, obrogatório por lei de trânsito daquele país.
Acervo Além da coleção de fotos, Scheel tem um livro sobre caminhões, em espanhol, que veio da Alemanha através de um amigo que visitou aquele país. Um outro, cortesia da Anfavea - Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores - trata da história dos 30 anos do Salão do Automóvel em São Paulo. Também ganhou da Volvo do Brasil a história dos automóveis fabricados entre 1927 e 1985.


