Motorista é condenado em júri simulado
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sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Prestes a completar 12 anos, um crime que provocou a morte de seis pessoas em Rolândia (25 km a oeste de Londrina) voltou ao tribunal, ontem. Dessa vez, de mentira. O caso foi escolhido para ser julgado num júri simulado por alunos de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL), organizado pelo Centro Acadêmico (CA) do curso. Cerca de 300 pessoas assistiram ao exercício no pátio do Colégio Universitário.
Desde detalhes como a indumentária - toga para o juiz, beca para o promotor - até os procedimentos básicos de um júri, o exercício se assemelhou bastante ao que acontece nos tribunais. Uma das grandes diferenças foi o tempo: em três horas e meia, os estudantes resumiram o que, na ''vida real'', leva em média de 8 a 10 horas. ''Em razão do tempo, várias fases foram eliminadas. Mas o grande foco eram os debates em torno da questão: o crime foi doloso ou culposo?'', ressaltou o professor de Direito Penal da UEL Marcos Daniel Veltrini Ticianelli.
O fato ocorreu em 12 de outubro de 1994, na saída da tradicional Oktober Fest de Rolândia. Um jovem motorista que estaria embriagado provocou um acidente entre seu carro e um outro, matando seis ocupantes e deixando dois gravemente feridos. O que mais instigou os participantes do júri simulado foi a oportunidade de reverter - ainda que sem valor legal - a sentença. À época, o crime foi considerado culposo (sem intenção de matar) e o réu condenado ao pagamento de cinco cestas básicas.
Ontem, por 6 votos a 1, o corpo de alunos-jurados entendeu que houve homicídio doloso eventual (quando se sabe a consequência que o ato pode ter). O ''juiz'' decretou pena de 9 anos de prisão ao criminoso.
''Embora os júris populares (realizados no Fórum de Londrina) sejam abertos a toda a comunidade, para muitos estudantes o que se mostrou aqui é novidade'', observou Ticianelli. Segundo o aluno de 3º ano e vice-presidente do CA, Ricardo Jorge Rocha Pereira Filho, 20 anos, o objetivo foi oportunizar o contato dos estudantes com a prática. ''Na faculdade não se aprende tudo o que acontece num júri'', ressaltou. A atividade fez parte da 44 Semana Jurídica da UEL, encerrada ontem.


