Motorista e cobradores decidem entrar em greve
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quarta-feira, 08 de junho de 2005
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Motoristas e cobradores de Londrina seguiram a recomendação do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Rodoviário (Sinttrol) e a maioria votou ontem pela recusa à proposta de reajuste salarial oferecida pelas empresas. Dessa forma, decidiram entrar em greve, que poderá começar à zero hora de segunda-feira. O sindicato publica hoje comunicado em jornais da cidade informando à população sobre a decisão. Dos 1.187 votos válidos, 1.113 funcionários (95%) votaram pela greve e 60 disseram não. Houve oito votos em branco e seis nulos.
''Até lá vamos utilizar todos os caminhos de negociação com as empresas para que possamos evitar uma paralisação que, com certeza, trará consequências sérias à população'', disse o presidente do Sinttrol, João Batista da Silva. Ele redigiu ontem uma carta à Delegacia Regional do Trabalho (DRT), solicitando nova audiência com as empresas para amanhã à tarde. As partes se reuniram na segunda-feira na DRT, quando foi oficializada a proposta patronal, mas não houve um acordo.
Para saber a opinião da categoria, o Sintroll realizou ontem de manhã uma assembléia geral e colocou a proposta em votação. Os motoristas e cobradores dos terminais do Centro, dos conjuntos Vivi Xavier e Milton Gavetti, e do Shopping Catuaí votaram em duas urnas no Terminal Central. Uma terceira urna percorreu o Terminal Acapulco e as garagens da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e Francovig.
O gerente geral da TCGL, Gildalmo de Mendonça, disse não saber o porquê de uma greve. ''A variação do INPC nos últimos doze meses foi de 6,67% até abril e deve chegar a 7,3% em maio. Oferecemos 9% de reajuste. Com isso, o salário-base de um motorista passará de R$ 1.077 para R$ 1.174, para uma jornada de 36 horas semanais. Os das empresas rodoviárias já tiveram reajuste e estão ganhando R$ 980 por mês'', comparou. Para ele, os funcionários não querem a paralisação e ''estão sendo induzidos à greve pelo sindicato''. Fora o reajuste de 9%, a proposta das empresas prevê o congelamento dos anuênios, sem novas incorporações ao salário a cada ano, e a redução de horas extras, entre outras cláusulas.
O diretor operacional da Francovig, Walter Menegazzo, disse apenas que irá aguardar as instruções da CMTU. O presidente da Companhia, Gabriel Ribeiro de Campos, se disse ''surpreso'' com o resultado da votação e ainda espera um consenso. ''Mas caso haja a greve, vamos cobrar do sindicato da categoria que garanta um mínimo de 25% dos ônibus rodando, conforme prevê a lei''.


