Motorista descobre doença na estrada
O caminhoneiro Michael Mohwald, 39 anos, descobriu ontem que tem uma doença no coração. Fazia dois anos que ele não consultava um médico e, provavelmente, nem saberia do problema não fosse um programa de assistência médica, inédito no Brasil, que a concessionária Rodonorte passou a desenvolver desde ontem na BR-277, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. Gordo, sem praticar esporte, Mojwald, que é alemão, ouviu recomendações de que deveria procurar um médico e prometeu fazê-lo ainda hoje, quando chegasse ao Paraguai, país no qual reside.
Ele foi um dos cerca de 250 caminhoneiros que passaram pelas cabanas armadas pela empresa ao lado de um posto de combustível, no quilômetro 117 da rodovia. Após os cadastramento, todos os motoristas passaram por exames dentários, de verificação da pressão arterial e peso. Conforme a assessora de imprensa da Rodonorte, Simone Suzzin, os exames de diabetes foram feitos apenas de manhã, pois o almoço iria alterar os resultados.
A empresa já havia feito três etapas em dezembro de 1998 para determinar os exames que deveriam ser incluídos no programa. À época, 350 caminhoneiros foram cadastrados e passaram pelos exames. Destes, 280 apresentaram problemas de pressão alta, diabetes e eram obesos. Os resultados, que são arquivados num computador, foram decisivos para que a Rodonorte adotasse o exame de eletrocardiograma, que diagnosticou o problema de Mohwald.
A iniciativa ganha importância se analisados os dados de uma pesquisa da Vital Emergências Médicas, empresa que presta assistência no trecho administrado pela Rodonorte. Segundo o estudo, 60% dos acidentes que envolvem caminhoneiros tem como causa o estresse e algum tipo de problema físico.
Conforme a cirurgiã-geral e coordenadora do programa, Maria Casimira Fernandes da Silva, 37 anos, especialista em atendimento pré-hospitalar, de cada dez motoritas examinados ontem, sete apresentavam problemas. Geralmente são pessoas que não tem contato com médicos, afirmou.
O caminhoneiro curitibano Valdir Bonfim, 30 anos, concorda com a médica, mas afirma que isso ocorre por motivos que independem da vontande dos motoristas. O problema é a falta de tempo, disse. Segundo Bonfim, os motoristas não podem se programar em virtude das viagens. A gente marca uma consulta e acaba não indo. A Rodonorte gastará com o programa cerca de R$ 180 mil neste ano.





