Motorista depõe sobre acidente
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terça-feira, 02 de outubro de 2001
Érika Pelegrino<br> De Londrina 
Dois bóias-frias - Pedro Horácio Malandrin e Kelly Cristina Alves - que sobreviveram ao tombamento de um caminhão em Santa Mariana (16 km a leste de Cornélio Procópio), na última quinta-feira, e o condutor do Mercedes-Benz, Alício Lopes, prestaram depoimento ontem.
O condutor do caminhão foi ouvido na delegacia de Cornélio Procópio a pedido de seu advogado, João Gonçalves. Segundo o delegado de Santa Mariana, Nelson Misuta Águila, Lopes e seu advogado temiam represálias da população. Quatro trabalhadores rurais morreram no acidente.
Na tarde de quinta-feira, o caminhão retornava da Fazenda Figueira, após a colheita de milho, carregando as sacas do produto e 17 trabalhadores rurais na carroceria e três mulheres na cabine. Em seu depoimento, Lopes disse que ao passar pela barragem da represa a traseira do veículo começou a afundar.
Lopes teria ajudado as mulheres a saírem do caminhão e quando percebeu já tinha um rapaz na represa com sacas de milho sobre ele. Ao perceber que faltavam quatro trabalhadores, os sobreviventes teriam dito para ele sair do local para evitar problemas. Por isso Lopes teria fugido e se apresentado só ontem.
Os depoimentos de Pedro e Kelly Cristina foram semelhantes, segundo o delegado Misuta. Eles contaram que quando o caminhão passou sobre a barragem da represa, o terreno cedeu e o veículo começou a tombar lentamente. Ao perceberem o que estava acontecendo, os trabalhadores pularam. As sacas de milho e o caminhão caíram em cima de Claudinei Lopes do Santos, de 15 anos; Joaquim Cezario dos Santos, de 49 anos; Jair Oliveira dos Santos, de 25 anos; e Osvaldo Claudino da Silva, 50 anos; que morreram.
Misuta afirmou que ainda serão ouvidos os outros sobreviventes, o proprietário do caminhão, Serafim Garcia Banhos Filho e seu primo conhecido como Polaco Garcia. De acordo com investigações preliminares, o proprietário da fazenda, Norberto Gamerschlag teria doado o colheita de milho para Polaco Garcia, que teria contratado, através de Alício Lopes, os trabalhadores rurais.
O depoimento de Lopes seria encaminhado ontem no final da tarde para o delegado de Santa Mariana. Segundo Misuta, Lopes deverá responder por homicídio culposo por transportar os bóias-frias de forma irregular. O inquérito deverá ser concluído em 30 dias.


