O motorista Sebastião Neres, de 25 anos, se apresentou ontem à tarde na Delegacia de Medianeira (80 quilômetros ao nordeste de Foz do Iguaçu) e foi interrogado durante uma hora e meia. Neres dirigia o ônibus de turismo que bateu, na madrugada de sábado, com um Fiat Panorama ocupado por sete membros de uma mesma família, que tiveram morte instantânea.
O acidente aconteceu no km 670 da BR-277, no perímetro urbano de Medianeira. Os passageiros do ônibus - sacoleiros vindos de São Paulo - não sofreram ferimentos.
Depois do depoimento, Neres foi liberado e voltou a Foz do Iguaçu, cidade onde reside. Acompanhado de seu advogado, Sílvio Rogério Galiciolli, o motorista disse ao delegado Joaquim Antônio Figueira, responsável pelo inquérito, que o acidente foi provocado por falta de visibilidade absoluta.
Segundo o motorista, apesar de estar a 50 Km/h, a escuridão e a forte neblina o impediram de ver o Fiat na pista contrária.
Além disso, Neres responsabilizou outro ônibus, que estava estacionado no acostamento da rodovia no momento do acidente. ‘‘Segundo ele, o ônibus estava com as luzes apagadas e ocupava metade da pista’’, contou o delegado. Neres justificou a omissão de socorro alegando risco de linchamento. ‘‘Chegou a dizer que as pessoas já se preparavam para incendiar seu corpo e o ônibus’’, disse Figueira.
O delegado lembrou que a versão tem alguns pontos obscuros. ‘‘A iluminação do local é bem razoável, a sinalização é boa e a ultrapassagem aconteceu em faixa contínua’’. Outro ponto que pode comprovar a imprudência de Neres é o total conhecimento que ele tinha do local. ‘‘Ele fazia o trajeto Cascavel a Foz há muito tempo’’, ressaltou.
O inquérito deve ser concluído antes do prazo máximo, que é de 30 dias. Devem ser ouvidas algumas testemunhas que presenciaram o acidente. ‘‘Já intimei três pessoas’’, disse o delegado. ‘‘Mas quero interrogar muito mais’’.
O laudo da Polícia Rodoviária e o laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Foz serão decisivos para a conclusão do inquérito. ‘‘Pela minha experiência acredito poder reunir uma boa quantidade de provas contra o motorista’’, revelou o delegado.
Figueira lamentou não ter conseguido efetuar a prisão em flagrante de Neres. ‘‘Agora temos que ter paciência’’, disse. Pela nova Lei de Trânsito, o crime pode ser considerado homicídio doloso (intenção de matar). Neste caso, poderá cumprir de 12 a 30 anos de prisão. No caso de condenação como homicídio culposo, Neres poderá cumprir de 6 a 12 anos.
No acidente morreram Waldir Assis de Oliveira, de 36 anos; sua mulher, Rosane do Rocio Cruz de Oliveira, de 33; e as duas filhas do casal: Amanda, de sete anos e Alessandra, de quatro. Também morreram o irmão de Waldir, Pedro Israel de Oliveira, de 33 anos; sua mulher, Maria Rosa Lopes de Oliveira, de 28; e a filha deles, Paula Lopes de Oliveira, de três anos.
Waldir, Pedro e Rosane trabalhavam na Legião da Boa Vontade em Foz do Iguaçu. Eles foram enterrados anteontem em Maringá, para onde seguiam viagem no sábado. Naquela cidade moram seus parentes.

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