Motorista de ônibus muda o itinerário para socorrer passageira em Londrina
Jilmar da Silva desviou a rota e carregou a jovem no colo ao chegar na UPA do Jd. do Sol
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de agosto de 2019
Jilmar da Silva desviou a rota e carregou a jovem no colo ao chegar na UPA do Jd. do Sol
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

“Fui fazendo o que veio na minha mente. Pensei em socorrer a moça. A minha preocupação era apenas de ajudá-la a ficar bem”. No dia 21 de agosto, o motorista de ônibus da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina), Jilmar da Silva, 53, mudou o trajeto da linha 501 – Vivi Xavier rumo a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do jd. do Sol, na zona oeste.
A decisão em sair da rota foi por causa de uma jovem passageira que passava mal. “Ela estava fraca, pálida e mal conseguia ficar em pé”, lembra. Ao chegar na UPA, Silva pegou a moça no colo e a levou até uma sala de atendimento.
Era exatamente 16h31 quando o ônibus da linha Vivi Xavier deixou o Terminal Central sentido bairro, lotado de passageiros. Ao avançar cerca de 200 metros, Silva escutou os passageiros gritarem por ajuda. Ele estacionou o veículo próximo a um ponto de ônibus e uma mulher desceu para buscar água para a passageira que passava mal.
“Ela garantiu que estava boa para aguentar o trajeto até o terminal do Ouro Verde (zona norte). Mas eu andei mais um pouco e os passageiros voltaram a gritar por ajuda. Não pensei duas vezes em seguir reto pela Leste-Oeste ao invés de descer a avenida Rio Branco. Fui direto para a UPA”, detalhou.
O motorista contou com a ajuda de passageiros até o atendimento na unidade. “Ela disse que a gente poderia seguir nosso caminho, pois ligaria para o pai. Entendemos que estava tudo bem até porque ela já estava sendo atendida e voltamos para o ônibus”, conta. O tempo entre desviar a rota, entrar na UPA e retomar o itinerário normal foi de aproximadamente 15 minutos.
Na urgência da situação, Silva não chegou a pegar o nome da passageira e ao conversar com a FOLHA na manhã desta terça-feira (27), não tinha informações sobre a jovem. Ao ser questionado sobre o ato, Silva diz que colocou em prática os ensinamentos da família e de Deus, sobre estar “sempre pronto para ajudar o próximo. E como eu estava dirigindo o coletivo, eu era o responsável”, afirmou.
A experiência de 13 anos em dirigir ônibus também fez com que Silva entendesse que o atendimento aos usuários deve ser prioridade. Ele lembra de outra situação quando atuava como cobrador em outra empresa. “Uma passageira estava muito mal e como tinha uma enfermeira dentro do ônibus, ela acabou prestando os primeiros cuidados.”
A coordenadora de Recursos Humanos da TCGL, Maria Luiza Martins, diz que todos condutores passam por um treinamento específico de atendimento ao usuário e que a recomendação quando necessário, é desviar a rota para socorrer o passageiro (a), como fez Silva.
Ela também comentou que a prática é frequente na empresa, principalmente no auxílio de embarque e desembarque de usuários com alguma limitação. “Não digo que foi um ato de herói. Tem que ser humano. Uma pessoa estava passando mal e o mínimo que eu podia fazer era atendê-la”, completou Silva.
A FOLHA procurou a secretaria municipal de Saúde para saber sobre o estado de saúde da passageira, mas foi informada que o prontuário de atendimento só pode ser acessado com a identificação (nome completo) da paciente.


