Um atropelamento ocorrido ontem de manhã, por volta das 6h30, próximo ao quilômetro 160 da BR-369, em Cambé, causou a morte de Maria Cristina Donegar, 19 anos. Ela era funcionária do Londrina Golf Club e na hora do acidente se dirigia ao trabalho. Foi atropelada pelo Gol azul, placa AFH-4645, conduzido pelo estudante Rafael André Ferri Kaczor, 21 anos, de Rolândia. Cristina morreu no local. O teste do bafômetro aplicado no estudante acusou uma taxa de 14,4 decigramas de álcool por litro de sangue, o que caracteriza estado de embriaguez. O máximo permitido seriam 7,9 decigramas por litro de sangue.
ReproduçãoReproduçãoPrisãoRafael foi preso em flagrante; a vítima, Maria Cristina, e a delegada Geane dos SantosAlém de Cristina Donegar, o Gol de Rafael também atingiu Maria Cristina Duarte, 16 anos, e Fernando Alves da Silva, todos funcionários do Londrina Golf Club e que tentavam atravessar a via na hora do acidente. Fernando sofreu apenas escoriações leves e Cristina Duarte foi encaminhada pelo Siate para Santa Casa de Londrina. Ela teve trauma no tornozelo e glúteo esquerdos. Até o começo da tarde de ontem, permanecia em observação no hospital, mas seu estado de saúde era bom.
Segundo informações colhidas pela Polícia Rodoviária pouco depois do atropelamento, Rafael teria ficado das 23 horas do dia anterior até às 5h30 de ontem na boate Cinema Café, em Londrina. Depois partiu para a estrada com destino a Rolândia, onde mora com a família. Testemunhas disseram que o Gol do estudante estaria desenvolvendo velocidade e não estava com as luzes acesas.
Rafael Kaczor foi preso em flagrante por dirigir embriagado e vai ser indiciado por homicídio doloso (dolo eventual), sujeito a pena de seis a 20 anos de prisão. Para estes casos, não há fiança prevista na lei. ‘‘Ele assumiu o risco por estar embriagado e será autuado em flagrante delito por homicídio’’, comentou a delegada Geane Aparecida Felício dos Santos, de Cambé, que está cuidando do caso. ‘‘Pelo estado de embriaguez, ele não tinha condições nem de prestar socorro às vítimas.’
O pai de Rafael, Dorival Braz Kaczor, esteve ontem na delegacia de Cambé e informou que o filho percorria aquele trecho da estrada diariamente, há vários anos. O estudante faz o curso de Desenho Industrial da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, e permanecia morando em Rolândia. ‘‘É um rapaz que nunca bebeu, só estuda. Não sei como foi acontecer isso’’, disse. ‘‘Cheguei a conversar com ele mas ele não soube explicar o acidente. Estava muito abalado e chorando.’’ O advogado da família, Luiz Armacolo, de Rolândia, disse que tentaria pedir o relaxamento da prisão do estudante.
Na casa de Maria Cristina Donegar, na zona rural de Cambé, o clima era de consternação e revolta. A moça tinha começado a trabalhar no Golf Club há menos de duas semanas, onde exercia a função de carregadora de tacos e planejava se casar até o final do ano. ‘‘Ela estava contente com o novo trabalho, fazia planos. Ninguém esperava que uma coisas dessas pudesse acontecer’’, disse o irmão Jair Donegal Filho, 17 anos. Maria Cristina tinha outros seis irmãos. Seu corpo foi velado em Cambé e seria enterrado em Londrina.

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