Curitiba - Para Arnaldo Dascanio, 59 anos, motorista em Quatro Barras (Região Metropolitana de Curitiba), é preciso cuidar das crianças o tempo todo, desde a hora em que a recolhe até estar dentro de casa ou sob a atenção de um responsável. Mas os adolescentes são os mais difíceis de lidar. ''Dos 12 aos 20 anos eles têm aquela ideia de que sabem tudo, que precisam desafiar as regras. Eles querem brigar, fumar. Mas aprendi na prática que não adianta dar bronca e confrontar, tem que descobrir quem é o 'cabeça' da turma e trazer para o nosso lado'', recomenda.
Químico, Dascanio conta que tinha uma visão muito diferente da profissão antes de entrar para o meio, há um ano. ''Tinha aquela impressão do motorista que bebe, que corre muito. Descobri que não é bem assim. É uma profissão muito bonita, apesar de muito mal remunerada'', comenta. Enviado pela prefeitura de Quatro Barras para fazer o curso, ele descobriu que a troca de experiências entre os colegas trazia várias informações para lidar com o dia-a-dia da profissão.
O novato no ramo, Luiz Maurício Muziol, 28, conta que já passou por uma situação que, por muito pouco, não se transformou em desastre. ''Estava em uma subida, com o ônibus cheio de crianças, quando vejo um bicicleteiro vindo de frente na minha direção. Eu freei o carro, não pude frear bruscamente porque poderia machucar os passageiros, mas a sorte foi que ele se jogou no barranco ao lado da estrada. Não pode ter nem um segundo de distração''.
Ele conta que em Piên (RMC), onde trabalha, as estradas são muito estreitas. ''Não podemos passar de 80 quilômetros por hora. E alguns cuidados fazem toda a diferença, como dar uma volta um pouco maior para deixar o aluno no mesmo lado da rua que ele deve ficar'', orienta Muziol.
Para Iraci, o curso de capacitação seria determinante para evitar as duas situações citadas no início desta reportagem. ''Se o motorista de Londrina estivesse em dia com os documentos e o curso, não precisaria ter fugido''.
Já no caso de Colombo, a coordenadora do Senat defende a obrigatoriedade de ter monitores dentro dos veículos de transporte escolar. ''Enfatizamos muito aqui a importância do monitor. Os motoristas, quando terminam o curso, levam essa bandeira para seus superiores. Então fazemos o curso para os monitores também e eles saem daqui habilitados para tudo, inclusive para atender alunos portadores de necessidades especiais'', conta.
Em Curitiba, uma norma determina a obrigatoriedade dos monitores, mas essa regra não é geral e não está no Código Brasileiro de Trânsito. (M.R.M.)

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