Moradores e comerciantes do bairro do Mossunguê, em Curitiba, protestaram ontem contra o atropelamento de dois menores ocorrido na noite de terça-feira. Os moradores empunharam cartazes e bloquearam três pontos da Rua Monsenhor Ivo Zanlorenzi, via rápida que liga o Campo Comprido até o Centro.
O atropelamento ocorreu, segundo relatos de testemunhas, por volta das 21h40. Um homem, identificado como Ademar Carvalho, estaria conduzindo um Kadet em alta velocidade e teria atropelado os menores Arthur Fogaça, de 12 anos e Carlos Augusto Correa Marcos, 16. Marcos teria batido na lateral do veículo e teve o corpo lançado contra um muro. Ele teve ferimentos graves e foi conduzido para o Hospital Universitário Evangélico (HUE).
Fogaça teria sido arrastado pelo carro e o corpo teria sido lançado num tronco de árvore. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O condutor Ademar Carvalho não prestou atendimento. Ele teria fugido. A mulher dele, Nilce Carvalho, chegou a confessar que estava no volante na hora do atropelamento, mas acabou voltando atrás. A Delegacia de Delitos de Trânsito será a responsável pela elucidação dos fatos.
Marcos Fogaça, 18, estava revoltado com as condições do acidente. Ele contou que o irmão mais novo ia três vezes por semana ao curso de inglês com o amigo. Ele estava voltando do curso quando foi atropelado. ‘‘Ontem foi meu irmão, amanhã pode ser qualquer outro. O carro estava em alta velocidade. Ninguém faz nada para mudar essa situação’’, afirmou revoltado.
A doméstica Atercila Valentin Trindade, 39, não conseguia conter as lágrimas. Ela disse que criou Arthur Fogaça e ajudou na sua criação. ‘‘Não posso acreditar que aquele menino possa ter morrido de forma tão estúpida. Temos que fazer algo. Temos que protestar. Temos que chamar a atenção das autoridades’’, argumentou.
Os moradores já estão providenciando um abaixo-assinado que será encaminhado para a Prefeitura de Curitiba. Eles pedem dois redutores de velocidade (lombada, semáforos, radares) no trecho. ‘‘O pior é a saída da faculdade que tem aqui. Os filhinhos de papai andam a 140 quilômetros por hora. Este foi o terceiro acidente grave que vi em um ano’’, disse a dona de casa Andréa Juglair, 30. A dona de casa Delurdes da Rosa, 43, pretende organizar o abaixo-assinado num prazo máximo de um mês. ‘‘Temos que agilizar o processo. Alguém tem que ver o desespero das mães que moram aqui. Não queremos que nossos filhos corram riscos ainda maiores’’, afirmou.
Até o final da tarde de ontem, o motorista do Kadet ainda não havia se apresentado à polícia. Ele poderá ser indiciado em inquérito por condução perigosa, lesões corporais e homicídio culposo.

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