Aprovado na quinta-feira pela Câmara dos Deputados, o projeto de lei que prevê o fim da obrigatoriedade do kit de primeiros socorros nos veículos já ganhou popularidade nas ruas. Em Curitiba, onde antes se viam as barracas dos camelôs cheias de kits dos mais variados preços, o que se vê agora são apenas os produtos tradicionais, como cigarros e bolsas. Mas ele continua sendo vendido nas farmácias.
Na Rede de farmácias Drogamed, onde já foram vendidos 24 mil kits desde o início de janeiro, o estoque ainda é grande, cerca de 15 mil peças. Mas a vontade do consumidor é que está um pouquinho diferente. Se antes ele estava correndo atrás do equipamento para evitar a multa de 120 Ufirs, agora ele já começa a pensar em nem comprá-lo. Alguns, de brincadeira, falam até em jogá-lo fora.
É o caso do representante de vendas José Luiz Lima. Depois de procurar por um bom tempo, ele gastou R$ 13,00 no kit para o seu carro. E acredita que este tenha sido um dinheiro jogado no lixo. ‘‘Se a lei já chegou até lá, na Câmara dos Deputados, é porque a coisa não vai vingar mesmo’’, comenta ele. ‘‘Em casa é que não vou precisar deixar. Talvez o melhor destino seja mesmo o lixo’’.
De acordo com uma pesquisa feita em Brasília no ano passado, das vítimas de acidentes de trânsito atendidas por equipes especializadas, 6% ficaram com sequelas. Já entre as socorridas por leigos, o número chegou aos 31,8%, o que, segundo os médicos, é uma prova de que não basta ter apenas boa vontade. De acordo com o médico Ricardo Accioly, do Siate de Curitiba, uma das primeiras orientações dos bombeiros em caso de acidentes é justamente a de evitar o socorro feito por leigos, o que é dificultado com a obrigatoriedade do kit nos carros. ‘‘Muitas vezes a pessoa só quer ajudar. Mas fazendo um curativo inadequado pode acabar piorando a situação’’, explica o médico. ‘‘A melhor coisa é realmente não expôr as vítimas’’.
A primeira e melhor atitude, segundo o médico, é a da observação seguida de um telefonema para o 193 ou para a Polícia Rodoviária. A observação servirá para que a pessoa possa passar detalhes importantes para agilizar o atendimento dos socorristas, como o número de vítimas, o estado de consciência delas e principalmente se estão ou não presas nas ferragens.
‘‘São coisas que podem até parecer banais, mas que podem ajudar a salvar vidas’’, explica Accioly.
Para quem já está pensando em se livrar do kit é bom prestar atenção. O projeto de lei, para ser definitivamente aprovado ainda precisa passar pela votação no Senado e pela sanção do presidente. Até lá, o kit continua sendo obrigatório nas estradas federais. No Paraná, o prazo da suspensão da obrigatoriedade, que vencia nesta segunda-feira, foi prorrogado até o dia 1º de maio.

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