Farol - O motorista José Paulo da Cruz, 33 anos, está acusando a Prefeitura de Farol (30 km a oeste de Campo Mourão) de retaliação. Ele conta que desde que voltou a trabalhar, em dezembro, após uma licença de dois anos, passa o dia de braços cruzados no almoxarifado e é proibido de dirigir os veículos do município.
‘‘Não sei o que fazer. Vejo todo mundo trabalhando e tenho que ficar parado’’, reclama Cruz. O motorista acredita que o que para ele virou um ‘‘castigo’’ é uma resposta às denúncias que ele fez contra o prefeito Edson Martins (PSDB), em 2000. Na época, Cruz era vereador e motorista do gabinete do prefeito e acusou Martins de ‘‘assédio sexual’’.
O caso teve grande repercussão e Cruz chegou a participar ao vivo do programa do Ratinho, no SBT. As denúncias feitas na Câmara pelo motorista, no entanto, foram arquivadas. Cruz pediu licença na prefeitura e não tentou se reeleger vereador. Já Martins foi reeleito. O motorista voltou à prefeitura em 18 de dezembro, após vencer sua licença.
‘‘Não existe castigo. Só não vai ter de novo o carro do gabinete para trabalhar’’, disse o prefeito. Martins informou que a função de Cruz é motorista plantonista e quando for preciso ele terá um veículo para dirigir. Segundo ele, o quadro de motoristas está completo e a lei não permite que Cruz seja desviado para outra função.
O prefeito disse que Cruz não foi maltratado nem hostilizado e que está com o salário em dia. O motorista confirma que vem recebendo os R$ 215 mensais.
O caso do motorista já chegou ao Ministério Público de Campo Mourão. O promotor Inácio de Carvalho Neto abriu inquérito civil para apurar o caso e esteve em Farol para ouvir o motorista. O prefeito ainda será chamado a depor.

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