Motorista acusa PM de espancamento
O motorista Valter França Costa, 51 anos, pretende entrar com uma representação criminal contra o policial Luiz Ricardo de Castro, do 17º Batalhão da Polícia Militar. Ele acusa Castro de tê-lo espancado na noite de quarta-feira quando voltava do trabalho, em Rio Branco do Sul. O policial o teria algemado e ameaçado matá-lo. Luiz Castro foi procurado pela Folha no quartel, mas não foi encontrado. A reportagem tentou obter uma informação da 5ª Seção da PM (a assessoria de imprensa da corporação), que informou que qualquer explicação deveria ser procurada no 17º batalhão. No quartel do soldado, ninguém quis falar sobre o assunto.
Valter Costa conta que foi espancado quando cruzava a Vila São Pedro - local considerado por ele o mais perigoso da cidade. Era por volta das 19h20 e 19h30, quando um carro que vinha atrás começou a jogar luz alta, lembra. Com medo de ser um assalto, o motorista tentou se esquivar do veículo. Queria encontrar um local mais iluminado, para saber o que estava acontecendo, diz. Foi quando decidiu parar, saindo do carro com as mãos na cabeça.
Neste momento, um policial me algemou e me ameaçou de morte, recorda. Valter Costa identificou o policial Luiz Ricardo Castro, porque este ia sempre para a escola onde trabalhava beber café com os funcionários. Ele estava nervoso, colocou o revólver na minha cabeça, dizendo que ia matar um vagabundo, conta.
O motorista diz que teve sorte, porque o outro policial que acompanhava Castro o reteve. Nervoso por não poder disparar, o policial começou a espancá-lo, dando chutes e coronhadas na cabeça e estômago. Foi uma covardia, porque meu cliente estava algemado e não podia se defender, afirma o advogado de Valter Costa, Renato Crovador.
Depois de alguns minutos de surra, o policial decidiu prender o motorista. Costa ficou preso por duas horas. Somente depois desse período, é que foram procurar um motivo para autuá-lo, diz. O motorista foi preso por porte ilegal de arma. Tinha dentro do carro um revólver calibre 22, que era de meu avô e estava descarregado, conta. Além disso, ele tinha um facão debaixo do banco, que, segundo Costa, era usado para serviços no campo.
O advogado do motorista pretende entrar com uma represntação criminal contra o policial. Ele deve levar os documentos hoje à promotoria de Rio Branco do Sul.





