Motores identificados não pertenciam a carros roubados
Dimitri do Valle
De Curitiba
Nem todos os motores do cemitério clandestino localizado em Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba) são de carros furtados. A Polícia Militar identificou que quatro automóveis, que deveriam estar com estes motores, continuam a rodar normalmente. Os proprietários de três veículos da marca Monza, de Curitiba, e um Corsa Wind, de Catanduvas (50 km ao sul de Cascavel), trocaram os originais por outros motores. Com a revelação de quem fez a mudança dos motores, a polícia espera chegar aos responsáveis pelo cemitério.
Os proprietários terão que provar a origem dos motores que estão em seus carros, disse o perito da Polícia Militar, Elói Frank Júnior. Ele não descarta a possibilidade de que os donos dos veículos tenham comprado motores de carros furtados. Por meio da numeração do material encontrado no cemitério, foi possível confirmar que nenhum dos quatro automóveis tinha sido furtado.
A hipótese é de que os motores apresentaram problemas mecânicos e os proprietários resolveram substituí-los por outros com preços abaixo do mercado. De posse do material avariado, quem estava no desmanche tentou aproveitar as peças originais. Os proprietários dos carros serão intimados a depor para falar em que estabelecimento promoveram a troca.
Ontem à tarde, a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) definiu que as instalações do Regimento de Polícia Montada, no bairro Tarumã, em Curitiba, serão usadas como depósito dos cerca de 200 motores encontrados em um aterro em Rio Branco do Sul na sexta-feira passada. Os promotores tentaram desde o início da semana localizar um galpão seguro, mas nenhuma empresa quis se comprometer com o eventual risco de guardar objetos de tantas polêmicas e prisões.
A partir de hoje devem iniciar as buscas ao cemitério clandestino em Rio Branco do Sul onde estariam enterradas vítimas do crime organizado na cidade. Três pontos estão sendo estudados pelo delegado Sebastião Gaspar. Ele assumiu o comando da delegacia do município na terça-feira com a missão de tentar elucidar 10 homicídios e a origem do cemitério clandestino de motores.
O prefeito de Rio Branco do Sul, João Dirceu Nazzari, e o ex-delegado Hilário Trigo, se colocaram à disposição do delegado para prestar esclarecimentos sobre os desmanches. O local onde os motores foram achados é usado pela mineradora Brascal, de propriedade de Nazzari. Trigo foi afastado pela chefia da Polícia Civil diante das suspeitas de envolvimento com Juarez Costa França, o Caboclinho, acusado de comandar desmanches de veículos furtados na RMC.





