Sapopema - Durante o dia, Sapopema (132 km ao sul de Cornélio Procópio) é uma cidadezinha pacata, onde cavalos e outras montarias ficam no canteiro central da Avenida Manoel Ribas, enquanto os donos fazem compras e tratam de negócios. À noite, porém, aos sábados e domingos, ''é um inferno, ninguém dorme ouvindo motocicletas em alta velocidade, escapamentos abertos'', protesta Eneida Maria Rossa de Oliveira, ''tuti buona gente'', conforme ela mesma se apresenta, definindo sua descendência italiana.
''Estamos num lugar sem lei'', afirma Eneida, testemunha de um crime envolvendo a própria polícia, na noite de domingo, dia 30. Jonathan Chappinel da Costa, de 20 anos, pilotando uma Honda 125, é acusado de ''passar por cima'' do policial militar João Rosnei Teixeira. ''O menino entrou com tudo em cima dele, fiquei com pena'', disse Eneida.
Costa e o amigo de 17 anos, que conduzia outra moto, são acusados de fazer um racha na avenida. Após o atropelamento, Costa abandonou sua moto e fugiu com o adolescente, de acordo com o relatório do sargento Ezaqueu Marques dos Santos, comandante do destacamento local da PM.
Segundo a polícia, na tentativa de detê-los, o PM Jeferson Luiz da Silva deu quatro tiros, sem acertá-los. O soldado Rosnei foi hospitalizado em Telêmaco Borba, com a perna esquerda fraturada, mas já recebeu alta. ''Não morreu porque não é franzino e estava usando colete'', observou sargento Ezaqueu.
Uma bala ricocheteou no asfalto e atingiu o muro ao lado da loja de roupas Belíssima. João Maria Alves Carneiro, pai da dona da loja e morador no prédio, disse que saiu para olhar ao ouvir os tiros. Afonso Flores, dono de um bar, comentou sobre o risco de alguém ser atingido. ''Tinham de botar essa gente na cadeia'', disse João Maria, lembrando que os ''rachas'' têm sido uma perturbação constante. ''A gente trabalha de dia e depois não pode descansar.'' Segundo Eneida, outros motoqueiros já atropelaram uma menina e uma mulher.
No domingo, os policiais intervieram depois de uma denúncia anônima, explicou o sargento Ezaqueu. ''Fui eu que chamei a polícia'', disse Eneida, porque o marido, Benedito Marques de Oliveira, nervoso com o barulho, queria ir para a rua e ''quebrar de pau os motoqueiros''. Eneida mora na avenida, a poucos metros do local do confronto. A jovem Shauane de Mello Carneiro, proprietária da loja ''Belíssima'', contou que ao chegar de carro encontrou o soldado Rosnei caído e o transportou para o hospital da cidade.
A polícia agiu até as duas horas, com reforço vindo de Curiúva, mas não conseguiu encontrar os motoqueiros, segundo o sargento Marques. Ontem, familiares informaram à polícia que os dois se apresentariam.
O confronto dos motociclistas com a polícia fez os moradores colocarem em dúvida a segurança pública em Sapopema, lembrando outras ocorrências. Por exemplo, o assalto, há pouco mais de um mês, a uma loja na Avenida Manoel Ribas. ''Levaram tudo, instalações, telefone. Tivemos de comprar tudo de novo'', contaram João Maria Carneiro e a filha Shauane. Outros comentários mencionam os assaltos a banco e à agência dos Correios. ''Mas o roubo do banco faz mais de um ano'', diz o sargento Marques. O escrivão da delegacia, Benedito Pereira da Silva, classifica o desempenho da Polícia em Sapopema como ótimo. ''Ficamos três anos sem ter um homicídio.

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