Soldados da Companhia de Trânsito (Ciatran) da Polícia Militar de Londrina são acusados de beneficiar, durante blitz realizada na tarde da última segunda-feira, empresas particulares de guinchos. Segundo dois motoqueiros que procuraram a Folha, a operação foi acompanhada pelas empresas, cujos funcionários estariam vendendo, no local, peças de moto para substituição.
Segundo o montador P.S.C, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, ele foi parado em uma blitz na avenida Leste-Oeste, próximo ao Jardim do Sol (zona oeste), por volta das 15 horas de segunda-feira. ‘‘O policial inspecionou minha moto e meus documentos e já estava me liberando quando um rapaz, do guincho Boaretto, chamou a atenção dele para as lentes do pisca da minha moto’’, afirmou.
Segundo ele, o policial disse que o montador teria que trocar as lentes fumê por outras amarelas, de acordo com o Código Nacional de Trânsito. ‘‘E ele disse que tinha que ser feito na hora, se não iria apreender minha moto. Quando eu perguntei como poderia fazer isto, parado ali, ele me indicou o rapaz do guincho, falando que estava vendendo as peças e que eu podia trocar na hora’’, contou.
A mesma coisa aconteceu com o mototaxista A.D.M, que também pediu sigilo na identificação. Segundo ele, que foi parado na mesma blitz, os policiais estariam pressionando os motoqueiros para adquirir lentes, viseiras para capacetes, lanternas e retrovisores dos guincheiros. ‘‘Eles montaram uma loja na blitz. Estavam vendendo lentes de pisca a R$ 1 cada, quando na loja custa R$ 0,40’’, acusou.
Segundo o comandante da Ciatran, capitão Sérgio Dalbem, a presença de empresas de guinchos particulares junto à blitz só seria justificada se o veículo da Polícia Militar estivesse quebrado. ‘‘Como estive fora da cidade ontem (segunda-feira), não acompanhei a blitz, portanto não sei se o nosso guincho estava quebrado ou não. Mas vou apurar’’, avisou. ‘‘Vamos averiguar se os policiais estariam permitindo ou participando de comércio de peças’’, garantiu. Ele recomendou que os motoqueiros façam uma queixa formal na PM.
O proprietário do Guincho Boaretto, Roberto Boaretto, negou que seus funcionários estejam envolvidos com o comércio de peças durantes blitz. ‘‘Eu desconheço essa prática e garanto que em meus caminhões, tenho dois, não é feito este tipo de coisa’’, afirmou.

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