Tão estilizadas quanto as motos são as figuras que circulam até hoje pelo Autódromo Internacional Ayrton Senna, de Londrina, no último dia de atividades do ''3º Rock'n Road Encontro Internacional de Motociclismo''. Apontado por outros companheiros como o mais velho da considerável turma de quase 10 mil motociclistas, o aposentado Bleiner Fernandes, de 61 anos, prova que além de estilo também é preciso mostrar atitude ainda mais quando se têm pela frente os mais de 1.500 quilômetros que separam Vitória (ES), sua cidade natal, de Londrina.
Dedicado há mais de quatro décadas por um veículo, segundo ele, ''tão arriscado e tão apaixonante'', esse ex-auditor federal conta que sempre levou muito a sério a condição de motociclista. ''Fui o primeiro funcionário do Ministério da Fazenda a ir trabalhar de terno, e de moto'', lembra. E compara: ''Moto é liberdade, é interação com a estrada e o meio ambiente. O carro é uma prisão!'', avalia.
Prender, por sinal, é tudo o que os pais do estudante mineiro Luciano Saraiva Resende, de 20 anos, tentaram fazer com ele quando descobriram suas reais intenções quanto à bolsa de estudos que recebia na universidade. ''Juntei sozinho e escondido R$ 4 mil para comprar minha moto, mas valeu a pena. Hoje os dois já aceitaram, mas sempre ouço na véspera desses encontros que é loucura o que eu faço'', caçoa. Fã também das longas viagens sob sol ou chuva, o que ele gosta mesmo é das novas amizades que são feitas tanto que veio com mais 53 amigos de uma lista de discussão da internet. ''A estrada nos expõe a muitas fragilidades, e eles me ensinam muito sobre os riscos. Fora, é claro, os valores de respeito que trocamos'', comenta.
Se Resende é novato, outro capixaba, o gerente bancário Paulo César Rodrigues, o ''PC Cavera'', já pode se considerar um veterano completo no ramo. Especialmente se o assunto for a diversidade de tombos e capotes sobre duas rodas, ele que coleciona 17 pinos e três placas pelo corpo, resultados de quatro acidentes. ''O motociclista que diz nunca ter caído de uma moto tem é vergonha de assumir'', sentencia, mas emenda: ''É arriscado, mas o custo benefício é muito bom'', garante.
Alheio às particulares dos donos das máquinas, o público que foi ao Autódromo também tem seus motivos. ''Era mais legal quando eu pilotava a minha; hoje só me resta ver as desse povo e relembrar o passado'', comenta o aposentado José Kretsch, 76. Para o vendedor Alexandre dos Santos, 24, ''o grande barato é ver gente de todo lugar e todas as idades com o mesmo hobby''.
As atrações do encontro continuam hoje com apresentações de aeromodelismo, wheeling (manobras radicais sobre duas rodas), além das atrações MotoXtream (saltos acrobáticos por cima de uma carreta), Bike Show (concurso de motos estilizadas) e luta de mulheres na espuma. O ingresso custa R$ 5 à comunidade e aos acompanhantes de garupa. Motociclistas não pagam.

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