Passar o ano novo longe de quem se ama pode ser ruim, mas não para o motociclista Julio Lima, 40 anos. No dia 27 deste mês ele inicia uma aventura que deve durar 29 dias, percorrendo sozinho as fronteiras entre Uruguai, Chile e Argentina em sua Suzuki 1000 cilindradas. Serão 12 mil quilômetros de asfalto e outros mil quilômetros de terra sob ventos fortes e temperaturas baixas com destino a Ushuaia, extremo sul do continente americano.
Nascido em São Paulo, Lima mudou-se para Londrina há oito anos. Formado em agronomia, atualmente ele é gerente de marketing em uma empresa de defensivos agrícolas. ''Minha rotina é terno e gravata todo dia, por isso será um alívio experimentar a liberdade de uma viagem de moto'', explicou.
A paixão por motocicletas começou com o pai, que colecionava motos clássicas. Aos 16 anos, Lima ganhou sua primeira CG 125. ''Em São Paulo era comum trocarmos documentos com amigos, por isso eu estava sempre com modelos novos'', disse.
Aos 18, sofreu sua primeira queda e teve de ficar três meses engessado. ''Um carro me fechou e bati as costas no capô'', lembrou. Depois do acidente, o pai vendeu a moto e colocou o dinheiro em uma poupança. ''Quatro dias depois de tirar o gesso comprei outra moto'', brincou Lima, que calcula já ter possuído mais de 20 modelos diferentes.
Hoje, ele é um dos diretores do Moto Clube Pés Vermelhos, de Londrina. Em sua primeira viagem internacional, no final de 2002, o motociclista percorreu mais de 8 mil quilômetros em 18 dias. ''Senti dificuldade em encontrar informações para montar o roteiro da viagem, por isso resolvi criar um site com dicas'', afirmou. A página na internet já recebeu mais de 10 mil visitas em um ano e meio.
Para uma viagem segura, Lima sugere grupos pequenos de, no máximo, quatro pessoas. A moto deve ser confortável e confiável e os ítens de segurança são indispensáveis. ''Nesta viagem, por exemplo, os objetos de segurança correspondem a cerca de 40% da minha bagagem. O restante são roupas''.
Apesar da distância na passagem do ano, a esposa fica feliz pelo marido estar realizando um sonho antigo. Ela comemora a falta de interesse dos filhos pelo hobby um tanto perigoso do pai. ''Eles são pacatos, acho que puxaram à mim''.

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