Motociclista encara mil milhas em 24 horas
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terça-feira, 20 de abril de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Aventureiro e metódico. As duas qualidades contraditórias formam o perfil de um motociclista de Londrina apaixonado por desafios e pela vida na estrada. Aos 38 anos, o engenheiro agrônomo Júlio Cezar Lima está prestes a enfrentar mais uma aventura sobre duas rodas. Ele pretende percorrer mil milhas (1.609 quilômetros) em menos de 24 horas. Para atingir o feito, ele planejou a jornada minuciosamente, desde a rota até os postos de combustíveis e pedágios do caminho. A largada está prevista para as 19 horas de sexta-feira, da Região Central da cidade.
A meta foi determinada por orientação da Iron Butt, uma associação norte-americana especializada em registro de façanhas obtidas por motociclistas. ''A minha prova é uma das mais simples. Existem até percursos de cruzar o continente de costa à costa'', explica Lima. A viagem será sobre uma Suzuki Maruder, de 800 cilindradas, ano 2001. O modelo é ideal, segundo o motociclista, para longas jornadas no asfalto. ''Pelo peso dela e pelo tipo de suspensão, esta não é uma moto boa para terrenos irregulares. É feita para andar num asfalto de boa qualidade'', acrescenta.
Para Lima, o cansaço será o maior adversário nas 24 horas de desafio. ''Na verdade, espero que seja o cansaço. Até porque imprevistos como a chuva ou um pneu furado podem inviabilizar a viagem no tempo previsto. Tenho de contar também com a sorte'', constata. A prevenção é outra qualidade do aventureiro. O equipamento inclui planilha de viagem, cronômetro, mapa rodoviário, bomba de pneu e ferramentas. As roupas são especiais: jaqueta com forro removível, especial para andar de moto, e luvas e botas impermeáveis.
A complexidade da planilha de viagem mostra o grau de organização. Com os dados catalogados em um programa de computador, Lima tem o horário de parada e o tempo de descanso para cada posto previsto no roteiro. ''Se eu não cumprir a meta em determinado ponto da viagem, sei que tenho de recuperar nos trechos seguintes'', explica.
O trajeto prevê passagem por Maringá, Cascavel, Guarapuava e Ponta Grossa. Em São Paulo, ele passará por Itararé, Itapetininga, Tatuí, Ourinhos e Assis, última parada programada antes do retorno a Londrina. O custo da viagem será de aproximadamente R$ 260, incluindo gasolina, pedágios e alimentação. Já o certificado norte-americano custa cerca de R$ 95.
A entidade de certificação exige testemunhas na saída e na chegada. O pagamento do combustível deve ser feito com cartão de crédito, cujo comprovante fornece data e hora. O motociclista também deve recolher o depoimento de um policial rodoviário para ajudar na comprovação.
A partida e chegada serão de uma loja especializada em roupas e acessórios para motociclistas, na Avenida Higienópolis, ponto de encontro dos 50 membros do Moto Clube Pés Vermelhos, do qual Lima faz parte. ''Dentro do possível, está tudo planejado. Mas se não der desta vez, tento em uma próxima. Não vou me arriscar'', salienta.


