Motociclista completa mil milhas
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domingo, 25 de abril de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A extensão do trajeto e o tempo para percorrê-lo foram o de menos. Para o engenheiro agrônomo Julio Cezar Lima, de 39 anos, completar mil milhas (1.690 quilômetros) sobre uma moto, em 24 horas, exigiu mesmo foi uma dose extra de força de vontade para enfrentar problemas como o cansaço e muita chuva e neblina.
Planejada ao longo de duas semanas, a aventura começou e terminou em Londrina, com largada na sexta-feira às 19 horas e chegada às 16h18 de anteontem. Segundo o motociclista, a folga no tempo (pouco mais de 21 horas) foi obtida também no percurso na verdade, 1.780 quilômetros. ''Eu não sabia, mas, para conseguir o certificado (da Associação Norte-Americana de Motociclistas Iron Butt), tinha que percorrer 10% a mais que as mil milhas. Ainda bem que consegui'', disse, aliviado.
Feita sobre uma moto Suzuki Maruder, de 800 cilindradas, ano 2001, a viagem passou também por Maringá e Guarapuava, além de cidades do interior paulista. Para vencer o desafio, Lima gastou R$ 270 com gasolina, pedágios e alimentação nas poucas paradas de abastecimento.
Não faltaram momentos críticos. O pior, de acordo com o engenheiro, foi enfrentar mais de 450 quilômetros de chuva entre Londrina e Cascavel, e de neblina entre Cascavel e Ponta Grossa, e à noite. ''Juro que nessas horas pensei até em desistir. Só não o fiz por causa de todo o planejamento que tinha elaborado'', confessou.
Além de proporcionar o tão sonhado certificado (que custará aproximadamente R$ 100), Lima garantiu que a façanha já lhe rendeu prêmio bem mais importante: ''Foi um desafio interno superado. Independente das dificuldades, é bom traçar metas na vida, com planejamento, e fazer o possível para atingi-las'', ensinou.
E, pelo jeito, metas não são problema para o aventureiro. Depois dessa viagem e de uma outra feita também sobre duas rodas, em 2003, para Chile, Uruguai e Argentina, ele já tem outro plano ambicioso para dezembro, quando deve seguir para Uchuaia, na Patagônia argentina, região conhecida como ''Terra do Fogo''. Lá, as mil milhas percorridas nesse final de semana serão somente a parte de terra do percurso de 14 mil quilômetros de asfalto no deserto, os quais ele espera concluir em 30 dias. ''Lá não terá chuva para me atrapalhar, mas um vento danado'', comparou.


