Cerca de 80% dos motoboys que trabalham para empresas da cidade atuam na informalidade. A estimativa é do presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina, Alzir Bocchi. Com o objetivo de reduzir esse índice em todo o Paraná, a Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social lançou na semana passada a campanha ''Trabalho sem Carteira Assinada não é Legal.'' A meta é conscientizar os motoboys sobre a importância de ter os direitos trabalhistas garantidos. A estimativa é que cerca de 700 profissionais atuem no ramo na cidade.
De acordo com Bocchi, o sindicato orienta todos os seus associados para que registrem os entregadores. Ele argumenta que em casos de acidente, por exemplo, o trabalhador terá a assistência necessária garantida pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O registro pode ser proporcional aos dias trabalhados, em especial para os estabelecimentos que têm movimento maior nos fins-de-semana. A estimativa é que o registro em carteira gere um ônus de 8% a 10% na folha de pagamento. Mesmo assim, para Bocchi, o ideal é registrar de acordo com o piso da categoria - hoje de R$ 420,00 - com remuneração extra por entrega.
De acordo com os próprios motoboys, muitos colegas preferem trabalhar na informalidade para aumentar os ganhos imediatos. Para o entregador Júlio César Coronado, 25 anos, o ideal é ter o registro. ''Mas tem motoqueiro que não quer para não pagar o INSS'', comentou. Para ele, a carteira assinada compensa até porque recebe extra por entrega. ''Só que é uma profissão bastante estressante. Principalmente por causa do trânsito e da rotina'', acrescentou.
Para Gilberto Carlos Ruglio, proprietário de uma pizzaria na Área Central de Londrina, o custo do registro compensa. ''No futuro, esse benefício se reverte para a empresa. Quando o funcionário sai, ele tem praticamente todos os seus direitos já acertados'', declarou o empresário, cujo estabelecimento conta com oito entregadores registrados. Ele acredita que os empresários que resistem a proporcionar o direito da carteira assinada aos funcionários fazem isso por falta de conhecimento da lei.
O chefe de fiscalização da gerência regional do Trabalho e Emprego em Londrina, Rogério Perez Garcia Júnior, explica que para que as empresas sejam autuadas são necessárias denúncias pontuais. ''A obrigação (de registrar os funcionários) é do empregador'', ressaltou.
Segundo a Companhia de Trânsito, os acidentes envolvendo motoqueiros em serviço são comuns. A pressão pela rapidez nas entregas é apontada como uma das causas. ''Temos conhecimento de casos que o entregador é mandado embora se não faz a entrega rapidamente. Por isso, muitos acabam se arriscando no trânsito. E em muitos casos o tempo de entrega aumentaria só 20 ou 30 segundos se as regras de trânsito forem respeitadas'', asseverou o comandante da Companhia, Ricardo Eguedis.

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