Ney de SouzaImpasseEmpresas prometem protestar contra decisão; serviço atende 22,5 mil pessoas por mêsO serviço de moto-táxi em Foz do Iguaçu corre o risco de ser desativado. Comissões internas da Câmara de Vereadores derrubaram o projeto que regulamenta o serviço. As famílias dos 192 motoqueiros que trabalham nas três empresas de moto-táxi prometem protestar durante a sessão que votará os pareceres das comissões em plenário.
O serviço de moto-táxi em Foz entrou em funcionamento em fevereiro. A idéia foi copiada de Umuarama pelo empresário Rosevaldo Amaral, que montou a Moto-Táxi Iguaçu. Mesmo sem regulamentação, a empresa colocou 12 motoqueiros para explorar o serviço.
Em um mês, a demanda fez Amaral dobrar o número de motos e mais duas empresas foram montadas, a Iguassu Moto-Táxi e a Moto-Táxi Três Fronteiras. Atualmente, 64 motos circulam pela cidade. As três empresas criaram 192 empregos e são responsáveis pelo transporte de 22,5 mil pessoas por mês, segundo levantamento dos três empresários.
Cruzar a cidade de um lado para o outro, usando a moto-táxi, custa R$ 1,00. Para bairros mais distantes, como Vila C de Itaipu e Três Lagoas, a tarifa fica entre R$ 2,00 e R$ 3,00. O serviço faz 750 viagens por dia, segundo as empresas. De acordo com Amaral, muita gente está preferindo usar a moto-táxi, ao invés de se utilizar do serviço de transporte coletivo, cuja tarifa custa R$ 0,60.
Os três empresários denunciam lobby de empresas de transporte coletivo e do Sindicato dos Taxistas, concorrentes diretos do moto-táxi. Segundo eles, os taxistas e donos de empresas estariam pressionando os vereadores para votar contra o projeto de autoria da vereadora Rozily Mezzomo (PPB), que regulamenta o serviço.
Segundo eles, o vereador Sérgio Beltrame (PSDB), dono da empresa de transporte coletivo Irmãos Rafagnin, estaria articulando a derrubada do projeto. Procurado pela Folha, Beltrame, não quis falar sobre o assunto. Já o presidente do Sindicato dos Taxistas, Armando Tontini, nega a existência de lobby para aprovar e questiona a segurança oferecida por esse serviço.
A proposta foi rejeitada por todas as comissões, exceto na Comissão de Legislação, Justiça e Redação, presidida pela vereadora. As comissões também alegam falta de segurança e apresentaram um substitutivo ao projeto, regulamentando apenas o serviço de moto-entrega. Os motoqueiros não concordam com a alegação e afirmam que respeitam os limites de velocidade e todos os passageiros são obrigados a usar capacetes.
Ontem, o dono da Táxi-Moto Iguassu, Carlos Ribeiro, disse que os empresários aguardam a votação dos pareceres em plenário para pedir liminar na Justiça.

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