Para driblar a legislação e conseguir um alvará da prefeitura, a empresa que vinha realizando o serviço de moto-táxi em Campo Mourão agora anuncia apenas o ‘‘moto-serviço’’, que é uma espécie de terceirização do trabalho dos ‘‘office-boys’’. O responsável pela empresa, Raílson Turci, no entanto, diz que o novo sistema de trabalho ‘‘está fraco’’ e ameaça desistir da atividade se não houver melhora dentro de uma semana. ‘‘Mal estamos conseguindo cobrir as despesas’’, justifica-se. Ele trabalha com quatro motocicletas.
O serviço de moto-táxi entrou em funcionamento de forma clandestina em Campo Mourão há cerca de três meses. Duas empresas chegaram a colocar anúncios em rádios e jornais da cidade, mas a polêmica do serviço em outros municípios paralisou as atividades. ‘‘O moto-táxi rendia bem melhor’’, admite Turci. ‘‘Mas a prefeitura não nos liberou o alvará e tivemos que parar’’. Ele disse que chegou a procurar ajuda de vereadores, mas desistiu quando percebeu que estava sendo ‘‘enrolado’’.
Segundo Turci, o moto-serviço não transporta pessoas. A motocicleta apenas é usada para transporte de cargas e documentos. ‘‘Fazemos tudo o que pode ser feito de moto, como pagar contas, por exemplo’’, frisa. Há denúncias, no entanto, de que o moto-serviço continua transportando passageiros. Turci nega. Ele admite apenas que as muitas pessoas que contrataram seus serviços querem ir junto com a encomenda. Cada serviço dentro da cidade custa R$ 1,00. Fora desse perímetro o preço tem que ser combinado.
O presidente do Sindicato dos Taxistas de Campo Mourão, Carlos Pires, disse à Folha que a entidade já denunciou o caso à prefeitura. ‘‘Se o município não tomar nenhuma atitude, vamos entrar na Justiça’’, ressalta. De acordo com ele, o movimento nos pontos de táxi caiu após a implantação do ‘‘moto-serviço’’. O diretor da empresa que faz o transporte coletivo urbano em Campo Mourão, Flávio Gurginski, também já se queixou à prefetura. ‘‘Além de ilegal, o moto-táxi não oferece segurança e higiene’’, diz.

mockup