Arapongas (Norte) sempre foi conhecida por ter uma das maiores frotas de bicicletas do Paraná. Mas de uns anos para cá, as magrelas ganharam concorrência mais potente: as motos. Desejadas pelos jovens e cobiçadas pelos trabalhadores, as motocicletas já somam quase 17 mil unidades e estão aposentando as ''bikes''.
O comerciante Francisco José de Lima, 85 anos, o ''Paraíba'', perdeu até 70% da clientela voltada para as bicicletas, mas mantém o bom humor. ''Por enquanto não penso em parar, senão enferrujo'', gargalha o potiguar, que se tornou araponguense há 65 anos e foi o pioneiro no comércio de bicicletas. ''Quem tinha três ou quatro bicicletas, hoje tem uma ou duas motos'', aponta.
O movimento migrou quase todo para as revendas. Na Honda, que está há 30 anos em Arapongas e domina 85% do mercado, ''o comércio só melhorou nos últimos anos'', comemora a gerente, Márcia Fátima Oliveira. Para ela, além das muitas vantagens - ''o desempregado compra uma moto e tem emprego e pode financiar sem entrada em até 50 vezes, com juros de 1,99% a 2,10% -, pesa também o fato de que as motos deixaram de ser apenas para passeio.
No escritório da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), metade dos 20 documentos novos é de motocicletas. O ex-ciclista Charles de Carvalho, 19, foi um dos que se rendeu à moto. Vendeu a bicicleta, juntou dinheiro e comprou uma Honda CG 99 por R$ 3 mil. Pedalar, agora, nem de brincadeira. A doméstica Celina Paixão, 44, também conseguiu comprar uma Jog 97, ''inteira'', por R$ 700, em cinco vezes. ''Minha vida inteira andei de bicicleta mas sempre quis ter uma moto e Deus colocou essa oportunidade'', agradece.
Nas ruas, a convivência entre bicicletas e motocicletas nem sempre é de tolerância, comenta o diretor de Trânsito, Aroldo César Pagan. Ele estima que das cerca de 40 mil bicicletas do passado restam por volta de 15 mil, menos do que a frota de motos. ''A cidade tem um parque industrial forte que aumentou o poder aquisitivo, é extremamente plaina, tem urbanização concentrada e nos últimos dez anos passou por intensa migração. Isso tudo refletiu na compra de motos'', avalia Pagan, lembrando que Arapongas tem a 11 frota do Estado, com quase 55 mil veículos e 103 mil habitantes.
Mas o aumento da frota de motos trouxe novas demandas, como a carência de vagas de estacionamento no centro. ''Existe uma saturação dessa região devido ao estrangulamento provocado por serviços públicos e privados, bancos e comércio'', aponta. O diretor adianta que até julho será implantado o estacionamento rotativo e um estudo será implementado para redimensionar as vagas em toda a área central. (L.A.)

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