Quando a filha da doméstica Antônia Guilhermina Anselmo desapareceu de casa, a primeira hipótese levantada pela mãe foi de que ela teria sido vítima de alguma ação criminosa. Dois dias depois, para sua surpresa, a jovem de 18 anos ressurgiu sã, salva e ainda indignada.
''Ela ficou brava porque divulguei a foto dela na tevê. E não contou onde esteve'', relata a mãe. Duas semanas depois, a moça arrumou as malas e anunciou que iria morar com o namorado.
Segundo o delegado-adjunto da 10 SDP, Nelson Águila, a maioria dos casos de desaparecimento tem desfecho semelhante ao descrito por Antônia. Depois de esclarecidos, raramente apresentam motivação criminosa. ''As principais causas são familiares: problemas de relacionamento, crises de adolescente, abandono de lar'', menciona.
Depois de muita dor de cabeça, o taxista Luis Marcelo da Veiga concluiu que o breve sumiço do filho de 14 anos resultara da combinação entre ausência dos pais e a falta de perspectiva própria da idade. ''Ele morava em outra cidade com a mãe, mas recentemente veio viver comigo. Como trabalho à noite, fico preocupado com o que ele faz enquanto estou fora. É desses jovens que vão com o vento, não ligam muito para a escola, não sabem o que querem da vida'', descreve.
O Serviço de Crianças Desaparecidas (Sicride) dá algumas recomendações para que as famílias previnam fugas. Não exagerar nos castigos, não deixar que a criança se sinta rejeitada (ela pode fugir para chamar a atenção), ficar atento a mudanças de comportamento, não elogiar demais a esperteza da criança - o que proporciona uma falsa sensação de segurança e auto-afirmação - e manter um bom diálogo com os filhos. (V.N.)

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