O interesse do estudante pelo aprendizado depende de muitos fatores. O processo começa sempre em casa, com o incentivo dos pais, e ganha reforço na escola, através da maneira que o professor conduz as disciplinas e trata os alunos. Estas foram algumas questões discutidas ontem pela manhã, no Colégio Mãe de Deus, em Londrina, durante a palestra ministrada pelo professor José Aloyseo Bzuneck, doutor em psicologia escolar pela USP, que falou sobre a importância da motivação como ferramenta de ensino.
Ele lembrou que a volta às aulas é sempre uma alegria para as crianças, que estão ansiosas para rever a turma e contar o que fizeram nas férias. ‘‘Elas chegam com muito entusiasmo ao pátio da escola. Para dentro da sala de aula, a coisa não é bem assim, porque vão encontrar novos professores e matérias diferentes. Isso cria expectativa, curiosidade e apreensão’’, observou. A forma como os educadores vão trabalhar esse momento, segundo Bzuneck, é de extrema importância para conquistar a atenção, e consequentemente, fazer com que os alunos se sintam motivados a iniciar uma nova etapa do aprendizado.
Um dos desafios do professor é se ater às individualidades dentro de uma classe heterogênea. Também é importante que conheça a história e a procedência de cada aluno para que possa respeitar as diferenças entre eles. ‘‘É preciso reagir de formas diversas às crianças ansiosas e extrovertidas’’, avisa Bzuneck. Caso contrário, corre-se o risco de passar mensagens depreciativas que podem desmotivá-las.
Os pais também têm muita influência na motivação dos filhos. ‘‘Pelo menos um deles deve estar presente todos os dias, manifestando interesse pelo dia-a-dia na escola, perguntando se a criança está tendo dificuldades e se os professores estão exigindo demais’’, orienta. Bzuneck avisa que a família jamais deve sentir pena ao ver os filhos com muitas tarefas escolares a cumprir, mas sim incentivar tal prática. ‘‘A criança aceita quando os pais reforçam essa exigência. Senão, é mais fácil brincar, a tarefa fica para trás e a motivação cai’’, disse.
Segundo ele, as cobranças familiares sobre o desempenho escolar devem estar à altura de cada filho e precisam ser feitas de forma bem dosada. ‘‘Cobrar demais resulta em desânimo, cobrar de menos faz com que a criança se sinta solta demais’’, ensinou. Esse apoio familiar, garante Bzuneck, deve prosseguir até a adolescência.

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