Motim termina com libertação de reféns
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quarta-feira, 31 de dezembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Marcelo AlmeidaDurante toda a noite, Batalhão de Choque da PM cercou o educandárioA direção do Educandário São Francisco, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, vai reforçar a segurança da instituição com alambrados e guaritas, para tentar evitar novas rebeliões de menores infratores, como a ocorrida segunda-feira. A rebelião, que envolveu cerca de 40 menores, terminou às 4 horas da madrugada de ontem, com a libertação dos três educadores tomados como reféns. Ninguém ficou ferido e nenhum adolescente deixou o educandário. Foi a segunda rebelião em pouco mais de três meses no educandário, onde vivem 183 menores infratores, entre eles homicidas, latrocidas e estupradores.
A rebelião começou por volta das 15 horas de terça-feira, na ala A, onde ficam os adolescentes condenados por crimes mais graves. Segundo o diretor do educandário, Vinícius Kirchner, um grupo de aproximadamente 15 menores pretendia deixar a instituição e exigia um revólver e dois carros.
Armados com facas, pedaços de vidros e estoques (armas feitas com barras de ferro), os menores dominaram os reféns. Segundo Kirchner, em alguns momentos eles ameaçaram matar os educadores. Algumas camas e vidraças foram quebradas. A Polícia Militar, que cercou o prédio com mais de 60 homens, não chegou a entrar na sala onde estavam os rebelados, mas deu apoio tático nas negociações.
O diretor disse que, ao contrário do que ocorreu na rebelião de setembro, desta vez as reivindicações não incluíam melhores condições de alojamento e atendimento. Após a última rebelião, iniciamos uma reforma que melhorou muito as instalações físicas, disse.
Para conseguir a libertação dos reféns, Kirchner e o juiz Gil de Paula Xavier Fernandes Guerra, da Vara da Infância e da Juventude, acataram uma das reivindicações: a revisão dos processos de todos os internos. Alguns deles afirmam já ter cumprido as penas. A direção do educandário também se comprometeu a não adotar retaliações contra os rebelados.
Segundo o promotor de Justiça da Vara da Infância e da Juventude de Curitiba, Ivonei Sfoggia, a maior parte dos problemas do educandário decorre da superlotação. A instituição é a única do Paraná para internamento de menores infratores e abriga 183 onde caberiam 80. De acordo com Kirchner, até o final de 98 o governo do Estado deverá construir mais duas unidades, uma em Londrina e outra no Sudoeste, provavelmente em Foz do Iguaçu.
Para que tenham chance de recuperação, os menores precisam ficar em locais de menor porte, separados por compleição física e tipo de delito, afirma Sfoggia. Além disso, segundo ele, a proximidade do local onde moram as famílias facilita a reinserção social dos infratores.


