Motim em Educandário serviu como teste
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quarta-feira, 14 de setembro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Não foi exatamente o tipo de prova que os servidores do Centro de Sócio-Educação de Londrina (Zona Sul) esperam, mas o motim registrado anteontem acabou servindo com um teste de fogo para a instituição que abriga adolescentes infratores. A confusão servirá para a coordenação do Educandário rever rotinas e procedimentos de trabalho na tentativa de redefinir o que precisará ser aprimorado. Durante o quebra-quebra, que durou cerca de três horas, um dos internos foi ferido na cabeça.
O coordenador das equipes de educadores, Ricardo Peres, declarou ontem que o saldo do motim pode até ser considerado positivo, porque os prejuízos materiais foram pequenos, houve apenas um ferido leve, o Pelotão de Choque da Polícia Militar não precisou entrar na unidade. Além disso, nas revistas realizadas em todas as instalações usadas pelos adolescentes foram encontrados somente alguns estoques produzidos durante o motim com material arrancado de grades de proteção e do telhado. O conserto dos danos deverá ser concluído nos próximos dias mas nenhuma ala precisou ser interditada.
Segundo o coordenador, a confusão foi iniciada por um jovem da Ala B (aqueles que já participam de atividades). Ele teria chegado ao Educandário há pelo menos dois meses mas, conforme a coordenação, sempre demonstrou resistência em aderir à proposta pedagógica. Com relação às reclamações de maus tratos feitas pelo adolescente à imprensa durante o motim, Peres garantiu tratar-se de ''falas evasivas, infundadas e improcedentes''.
O interno iniciou a confusão quando seguia de uma atividade no pátio para seu alojamento. Ele teria se aproveitado de um descuido para alcançar uma ferramenta em uma ala que está sendo reformada e conseguiu abrir outras alas. Um interno feito refém foi ferido na cabeça. Apenas a ala D (área de prontidão e saída onde havia 17 adolescentes) não se envolveu na confusão. Os internos diretamente envolvidos no motim responderão a mais este ato infracional por danos ao patrimônio público, agressão e tomada de refém. Internamente, foram retirados do convívio com os demais e colocados em alojamentos individuais. Também será instaurado procedimento administrativo.
Peres comentou que uma das principais razões que proporcionou a contenção eficiente do motim foi o fato de que toda a unidade sofre revistas diárias. Situação bem diferente do que aconteceu durante o ano passado, quando o Educandário começou a funcionar pela primeira vez. Entre agosto e dezembro de 2004, aconteceram pelo menos seis grandes tumultos que destruíram quase por completo as instalações. O Educandário só voltou a funcionar em abril deste ano, após uma ampla reforma. Desde então, a confusão de anteontem foi a terceira registrada mas todas provocaram apenas pequenos danos. A unidade tem capacidade para 51 adolescentes mas soma atualmente 47 e em razão do tumulto, novas transferências foram adiadas.
O Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), que gerencia as instituições de atendimento de adolescentes infratores, está concluindo um protocolo de ação e intervenção que terá de ser seguido em situações de crise e tensão nas unidades. A presidente do Iasp, Thelma de Oliveira, afirmou que dentro de aproximadamente 10 dias o documento estará na mesa do governador Roberto Requião para ser validado. ''O importante é que o chefe ou responsável por uma unidade saiba avaliar a situação, quem contatar e em que momento.''


