A rebelião ocorrida na madrugada de quinta-feira, no 7º Distrito Policial, no bairro Vila Hauer, em Curitiba, acabou complicando ainda mais a situação dos presos, que já era caótica. Das nove celas que estavam sendo utilizadas, quatro foram destruídas durante o motim. Com isso, os 81 detentos que permaneceram na carceragem estão amontoados em apenas cinco celas.

No dia da rebelião, 99 presos dividiam as nove celas (uma já estava interditada). Dois presos foram mortos pelos rebelados e 16 considerados mais perigosos foram transferidos para o 3º, 8º, 9º e 12º distritos.

O delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, disse ontem que na segunda-feira irá providenciar a remoção do maior número possível de presos condenados para os presídios do Estado. No entanto, isso ainda dependerá de negociação com o Departamento Penitenciário (Depen), uma vez que a falta de vagas e o problema da superlotação também afetam o sistema penitenciário. Ribeiro estima que pelo menos 30 detentos do 7º Distrito já poderiam ser transferidos para as prisões.

Ribeiro reconhece que o problema da superpopulação atinge todos os distritos e delegacias. Também admite que a maioria deles foi interditada pela Justiça e, por isso, nem mesmo deveriam continuar abrigando presos. Esse é o caso do 3º Distrito, que fica no bairro Pilarzinho. A carceragem, que tem capacidade para 45 presos, mas chegou a manter 160, foi totalmente danificada na última rebelião, em julho deste ano, e a reforma até agora não foi concluída. A unidade continua abrigando 80 presos em condições precárias de acomodação e segurança.

No 6º Distrito Policial, no bairro Cajuru, as tentativas de fuga e ameaças de resgate de presos são constantes. A carceragem tem apenas uma cela, de aproximadamente quatro metros quadrados, onde até quinta-feira 25 presos se amontoavam. Dez deles foram transferidos. Os policiais foram obrigados a improvisar, usando como cela uma salinha que fica embaixo de uma escada e era utilizada como depósito de materiais. Quatro presos ocupam o espaço improvisado.

Segundo levantamento feito pela Folha, a carceragem do 8º Distrito, no bairro Portão, é a mais crítica em termos de superlotação. São 130 presos num espaço que poderia comportar apenas 40. As tentativas de fuga e rebeliões também são uma rotina naquele distrito.

Ribeiro aposta na conclusão da Penitenciária Estadual de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, prevista para o início do ano, para minimizar os problemas de excesso de presos nas delegacias. As vagas que estão sendo disponibilizadas no interior também poderão contribuir para desafogar as cadeias da Capital.

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