Motel é acusado de discriminar casal de gays
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sexta-feira, 31 de março de 2006
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
O Candy Motel, localizado na Rodovia Celso Garcia Cid (Zona Sul de Londrina), está sendo acusado de discriminação por um casal de homossexuais. Funcionários do estabelecimento, de acordo com a denúncia, teriam ofendido os clientes e cobrado duas vezes pelo uso do quarto. Um dos envolvidos, que é trabalhador autônomo, disse que um dos atendentes afirmou que o motel seria um lugar feito ''pra homem e mulher''. O fato, que teria acontecido no feriado de Carnaval, foi comunicado à diretoria da Organização Não-Governamental Adé Fidan, que trabalha com o movimento gay da cidade. O casal também registrou um boletim de ocorrência na 10 Subdivisão Policial e pediu providência à prefeitura, por conta de uma lei (8.812, de 13/06/2002) municipal que penaliza estabelecimentos comerciais por discriminação.
Olavo Barros Neto, gerente em exercício do setor de concessão de alvarás do município, afirmou que a prefeitura já foi comunicada do fato e iniciou o processo de investigação. O motel teria preliminarmente ofendido três artigos da lei: ''constrangimento ou exposição ao ridículo, proibição de cobrança extra para ingresso ou permanência e preterimento quando da ocupação e/ou imposição de pagamento de mais uma unidade''. Se ficar comprovado o ato discriminatório, o estabelecimento pode pagar uma multa de R$ 5 mil (R$ 10 mil em caso de reincidência) e ter o alvará de funcionamento suspenso ou cassado. ''Isso tudo nós vamos averiguar. Recebi o protocolo da denúncia dia 27 (segunda-feira) e as penalidades vão depender do que for apurado'', explicou o gerente.
De acordo com o coordenador-geral da ONG, Edson Bezerra a Silva, a coragem do casal deve servir de exemplo para outros homossexuais que se sentirem humilhados ou contrangidos em locais públicos. Esse tipo de comportamento, segundo ele, é frequente, mas cai no medo da exposição. ''Tenho o caso de um gay que foi quase agredido por seguranças de um shopping da cidade. Isso acontece direto, mas as pessoas têm medo de denunciar. Espero que essa atitude sirva de exemplo. A gente pensa que Londrina é avançada em algumas áreas, mas depois disso percebe que é bem diferente'', lamentou.
O gerente do motel, Nelson Simião, disse que ficou surpreso com a denúncia. Os funcionários, segundo ele, sempre foram orientados a tratar o cliente com educação. ''Não sabia de nada disso, mas vou apurar e ver o que aconteceu. Se alguém tratou um cliente de forma discriminatória, será demitido na hora'', garantiu. ''Se o cliente pagar, não interessa com quem vá pra dentro do quarto.''


