Morto-vivo derruba diretor do IML
Emerson Cervi
De Curitiba
O diretor do Instituto Médico Legal (IML), do Paraná, Francisco Moraes Silva, foi exonerado ontem à tarde pelo Secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. Há mais de seis meses Moraes Silva vinha sendo apontado como responsável por irregularidades no instituto.
Ontem, o deputado estadual Ricardo Chab (PTB) apresentou ao secretário de segurança o andarilho Paulo Prussak, 47 anos, que teria morrido atropelado em agosto de 1998, segundo laudo do IML. Chab faz parte da Comissão de Segurança Pública da Assembléia e diz que existem pelo menos 20 laudos sendo investigados pelos deputados estaduais.
A presença desse cidadão é uma prova contundente de irregularidade porque existe inclusive um laudo de necrópsia do corpo e a pessoa está viva, disse o Secretário. Cândido Martins nomeou como interventor do IML o delegado Leonil Ribeiro, que foi delegado geral em Londrina e estava corregedoria da polícia civil. O interventor terá a função de comandar todas as investigações, afirmou.
O ex-diretor do IML não foi encontrado ontem pela reportagem. Seus advogados não quiseram falar sobre a exoneração. Disseram apenas que Francisco Moraes está viajando. Ainda não foi definida a data para nomeação do novo diretor do IML. A intervenção vai durar até que todos os indícios sejam apurados, afirmou o Secretário. O governador Jaime Lerner (PFL) foi quem determinou a substituição do diretor do instituto.
Existem quatro inquéritos investigando denúncias contra Francisco Moraes. Um deles está na corregedoria da Polícia Civil e trata de possíveis irregularidades administrativas. Outro, investiga denúncias de abusos sexuais que Francisco Moraes teria praticado contra menores durante exames de corpo de delito. Há um inquérito por enriquecimento ilícito e uma representação do Ministério Público que trata de pareceres assinados pelos ex-diretor contrariando os resultados de laudos feitos por legistas do próprio IML. A Folha obteve com exclusividade os dossiês e publicou as reportagens com as acusações contra o ex-diretor.
O deputado Ricardo Chab, que é radialista e vinha denunciando as irregularidades desde meados do ano passado, ficou satisfeito com a intervenção no IML. A atitude é louvável porque assim as suspeitas poderão ser confirmadas, disse. Para Chab, existe uma ligação entre funerárias e IML.





