Londrina - Quatorze meses depois do protesto em busca de mais segurança, que lotou as ruas de comerciantes -e de policiais militares recém-formados-, o londrinense se vê, novamente, em meio à violência. Dois homicídios registrados na noite de anteontem elevaram para 100 o número de mortes na cidade este ano, de acordo com dados extra-oficiais apurados pela FOLHA. Levantamentos oficiais da Polícia Civil contabilizam 97 homicídios (os latrocínios não estão incluídos nessa conta), enquanto, no mesmo período do ano passado, foram registradas 70 mortes.
Durante um assalto a um minimercado, localizado na Rua Vital Ferreira Chagas, no Jardim Sabará, Zona Oeste de Londrina, um adolescente de 17 anos, que seria um dos assaltantes, foi morto com vários disparos. Segundo informações do setor de homicídios da Polícia Civil, dois rapazes teriam rendido os clientes para assaltar o mercado, por volta das 20 horas. O dono do estabelecimento teria chegado ao local e entrado em luta corporal com um dos rapazes. Segundo os policiais, uma terceira pessoa, que passava pela rua, teria conseguido roubar a arma de um dos ladrões e atirado contra o adolescente, que foi atingido na cabeça.
O jovem morreu no local, mas o outro assaltante conseguiu fugir levando cerca de R$ 350 em dinheiro. Nenhum cliente ficou ferido. Os policiais ainda não têm pista do fugitivo. De acordo com a polícia, o adolescente morto no assalto já vinha sendo investigado por suspeita de ser o autor de um homicídio no mesmo bairro.
Ainda na noite de anteontem, Alexandre Bortoni Perdigão, 27 anos, morreu na Santa Casa, onde estava internado, desde a última segunda-feira. Ele foi encontrado pelo Siate na Rua José Ruzon, no Jardim Marieta (Zona Norte), com dois tiros, um deles na região do pescoço. Segundo os policiais, Perdigão, seria usuário de drogas.
Para o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Sérgio Barroso, não há explicação científica para o aumento do número de mortes. Segundo ele, o índice de homicídios vinha descrescendo nos últimos cinco anos. Para o policial, 2007, quando foi registrado um total de 83 assassinatos, teria sido um ano atípico.
Setembro foi o mês mais violento do ano: 17 mortes, nove a mais que no mesmo período do ano passado. O índice aponta quase uma morte a cada dois dias. Julho foi o mês que registrou menos assassinatos, cinco no total.
Para Barroso, o acréscimo de 55% no número de prisões e apreensões ligadas ao tráfico de drogas pode ser uma das causas para o aumento dos homicídios. "A maioria das mortes está diretamente ligada ao tráfico. Quando a polícia aperta o cerco, começam os acertos de conta entre os traficantes", justificou.
Segundo ele, até 31 de agosto deste ano foram presas 228 pessoas, entre maiores e adolescentes, por tráfico, contra 148 no mesmo período de 2007. "Também foi em setembro que ocorreu um número maior de operações da Denarc (Divisão Estadual de Narcóticos)", completou Barroso. Para ele, o homícidio é um crime de difícil prevenção.
"Em Londrina, de 70 a 80% dos crimes são resolvidos e a maioria dos autores é presa", informou o delegado, ressaltando que a maior parte dos autores e vítimas têm menos de 25 anos de idade. "Mais de 70% dos autores também não têm nem o primeiro grau completo, o que gera cidadãos sem expectativa de futuro nem de vida", reiterou Barroso, sugerindo um trabalho em conjunto não só entre as polícias civil e militar como, também, das secretarias de Educação e Saúde.

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