Em um dos finais de semana mais violentos do ano, com três mortes, Londrina viu o número de assassinatos subir para 135 em 2002. A pouco mais de um mês do último dia de dezembro, já são 18 ocorrências a mais do que o ano passado inteiro. A cinco dias do final do mês, novembro já é o segundo mês com maior número de mortes no ano, com 16 homicídios, contra 19 em agosto.
O primeiro assassinato aconteceu no início da tarde de sábado. Por volta das 13 horas, a Polícia Militar recebeu a denúncia de que um corpo tinha sido abandonado nas proximidades do Pool dos Combustíveis (zona oeste), nos arredores da linha do trem. O cadáver estava com as duas mãos amarradas com uma corda vermelha e apresentava uma perfuração de bala na cabeça.
Levado para o Instituto Médico Legal (IML), o corpo foi identificado às 21h30 de sábado. Jefferson Luiz Godoy da Silva, de 13 anos, foi reconhecido pelo padrasto, Wilson Pires. O adolescente foi sepultado no cemitério Jardim da Saudade, às 8 horas de domingo. A mãe da vítima, Evanilda Godoy da Silva, conta que o corpo de Jefferson apresentava sinais de tortura.
''O corpo estava todo ralado, pois o arrastaram com a corda pela linha do trem. Ele também estava com nariz e perna quebrados, e a pele estava cheia de marcas de cigarro. Só consegui perceber que se tratava realmente do meu filho quando vi suas mãos, que eu conhecia muito bem'', disse Evanilda, que trabalha como doméstica. Ela relata que o filho tinha uma passagem pelo Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) por agressão e que ele chegou a traficar drogas.
''Ele não era usuário, na época em que morávamos nos Cinco Conjuntos (zona norte), ele vendia essas coisas. Nesta época, chegamos a pagar uns traficantes que estavam cobrando dinheiro dele. Mas o Jefferson ultimamente não vinha mexendo com drogas. Não sei porque o mataram nem desconfio de ninguém'', disse a mãe.
O segundo homicídio aconteceu às 21 horas de sábado. Diego Marcelo Sebin, 16 anos, foi morto na frente de casa, na rua Francisco Meleira Lopes, no conjunto Mister Thomas (zona norte), com três tiros. A irmã da vítima, Regiane Aparecida de Rocha Sebin, contou à polícia que uma pessoa chamou Diego pelo nome no portão. O adolescente atendeu e conversou com o visitante por alguns minutos. Pouco depois, a família ouviu os tiros.
No velório, no Centro Comunitário do Mister Thomas, ontem à tarde, o pai de Diego, Antônio Sebin, estava em choque. ''Estava em viagem e só ia voltar na terça, aí me deram essa notícia terrível. Não estamos sabendo de nada, não suspeitamos de ninguém, nem imaginamos o motivo (do crime). Meu filho era um bom menino, não tinha passagens pela polícia'', afirmou o pai.
O último assassinato aconteceu na madrugada do domingo. Roberto Valdelino Ferreira, 23 anos, estava na casa de Silvana Rosalina, na rua Pinhão, no jardim Monte Cristo (zona leste), por volta das 4 horas, e foi baleado por um agressor não identificado. O corpo foi encaminhado para Cambé, onde Roberto tem parentes, e seria sepultado na manhã de hoje. Na casa onde aconteceu o crime, a reportagem da Folha não encontrou ninguém que pudesse esclarecer o ocorrido. Os vizinhos preferiram não comentar o assunto. A polícia não tem suspeitos de nenhum dos três crimes.

mockup