Mortes teriam sido acidentais
A Polícia Civil de Cascavel espera laudos do Instituto Médico-Legal para avançar nas investigações sobre a morte de quatro meninas, na tarde de anteontem, em uma piscina particular que é aberta a populares mediante pagamento de ingresso. Por enquanto, é considerada a hipótese de que Eva Caroline Gonçalves Biagi e Franciele Santos, ambas de 12 anos, e Juliana Líbero da Silva e sua prima Jaqueline Silva, ambas de 13 anos, tenham sofrido congestão (afluxo excessivo de sangue em vasos do estômago) e morrido afogadas.
Apesar destes indicativos, a Polícia espera o exame de sangue e do vômito das meninas. Na piscina, ao lado dos corpos, havia muito vômito, e há indícios que haviam ingerido sanduíches. O superintendente da 15ª SDP Manoel Pedro dos Santos disse ontem que só os exames podem descartar a hipótese de uma intoxicação grave. As garotas estavam sozinhas na piscina. Foram encontrados uma lata de cerveja, roupas e cadernos escolares.
As adolescentes deixaram de ir ao Colégio Polivalente, onde estudavam. A piscina fica na Rua Visconde do Rio Branco, no bairro Claudete (zona norte da cidade). O proprietário, Aires Pereira, 60 anos, que cobrava R$ 2,00 por pessoa para frequentar a piscina, não havia se apresentado a Polícia até meio-dia de ontem. Ele será enquadrado por homicídios culposos.
Na piscina não havia qualquer equipamento de segurança para os banhistas. Inicialmente, havia a informação de que no local estava apenas a esposa do proprietário, Lídia Pereira, 56 anos, que ficou na casa nos fundos do terreno, por isso não teria visto nada, nem ouvido gritos. A mulher está em estado de choque. A Polícia recebeu a informação de que Aires Pereira deixou o local assim que ocorreram as mortes.
O velório das garotas, ontem, no bairro Aclimação (próximo a piscina), e os sepultamentos, foram acompanhados por grande número de pessoas, principalmente alunos do Polivalente. O desespero dos pais era total, mais ainda o de Iolanda da Silva, 33 anos, mãe de Juliana da Silva, porque o marido, Florisvaldo, estava em viagem. Ele é vendedor de peças para carros, e possivelmente estivesse no Litoral do Paraná. Até o meio-dia, Florisvaldo não havia sido localizado para ser informado das mortes.Edson MazzettoO velório das garotas foi acompanhado por dezenas de pessoasPaulo Pegoraro





