A morte da desempregada Lidiana Viana dos Santos, 20 anos, por meningite meningocócica revoltou parentes e amigos e reascendeu o medo de um surto da doença em Umuarama. Lidiana era irmã da estudante Letícia Viana dos Santos, 11 anos, que também morreu de meningite no dia 1º de setembro. Letícia morava com os pais e quatro irmãos na Fazenda Pousada da Garça, na Estrada Amarela. Lidiana estava morando com duas amigas no Parque Dom Pedro.
Segundo a amiga Miriam Fernanda Correia, 18 anos, Lidiana começou a passar mal domingo de manhã, com febre e dor de cabeça. Ao meio-dia, as amigas a levaram ao Pronto Atendimento Municipal (PAM), onde permaneceu por duas horas, foi medicada com soro e analgésicos e liberada. ‘‘Ela informou que a irmã tinha morrido de meningite, mas o médico que a atendeu, não sabemos qual, disse que era apenas uma enxaqueca forte e que ele poderia voltar para casa’’, contou Miriam ontem à tarde.
Durante a madrugada, o estado de Lidiana piorou e ela foi levada ao Hospital Cemil, onde morreu por volta das 8 horas. A moça tinha dois filhos, de 3 anos e 11 meses de idade. ‘‘A gente não se conforma com a morte dela e vamos exigir providências’’, disse Miriam. Quando a irmã de Lidiana morreu, pais de alunos e moradores do Parque Daniele, onde Letícia estudava, ficaram preocupados. A Secretaria Municipal de Saúde medicou cerca de 100 pessoas que tiveram contato com a menina para evitar novos casos.
A chefe do Serviço de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, enfermeira Mitie Aoki, disse que Lidiana não tomou corretamente o remédio receitado a todas as pessoas que tiveram contato com Letícia. ‘‘Ela tinha que tomar oito comprimidos do antibiótico Rifanficina, mas nos informou depois que havia tomado apenas quatro porque provocava mal-estar’’, afirmou Mitie.
A enfermeira descartou a possibilidade de uma epidemia. Ano passado, foram registrados 20 casos, sem nenhuma morte. ‘‘É o segundo caso registrado este ano e já estamos fazendo o bloqueio novamente’’, disse. Todas as pessoas que tiveram contato com Lidiana terão de tomar Rifanficina, inclusive os familiares que foram medicados anteriormente.
No caso de Letícia, os pais demoraram para procurar o médico. A enfermeira disse ontem não ter conhecimento de que Lidiana foi atendida no Pronto Atendimento e liberada. ‘‘Vamos ouvir os familiares e apurar isto’’, adiantou.

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