Curitiba Os números da violência em Curitiba ainda estão longe dos índices registrados em outras capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, mas os recentes casos de pessoas que se tornaram vítimas de balas perdidas, nas ruas ou, o que é pior, dentro de casa, começam a chamar a atenção e aumentar a sensação de insegurança e de impotência frente à criminalidade.
Não existem dados oficiais sobre os casos de pessoas mortas ou feridas por bala perdida no Paraná (veja quadro nesta página). A Folha apurou que, pelo menos, sete casos foram registrados, em Curitiba e região metropolitana, de janeiro para cá, em que seis pessoas morreram e três ficaram feridas, inclusive, duas crianças: uma de quatro e outra de 11 anos. Londrina também registrou, em maio, um caso de bala perdida, que atingiu um adolescente de 14 anos na cabeça. Todos os casos aconteceram em bairros da periferia, onde a população mais se queixa da falta de policiamento.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, 26 pessoas morreram, entre janeiro e junho deste ano, vítimas de bala perdida. Considerando as informações disponíveis, uma vez que não existem dados oficiais, a proporção de mortes por bala perdida em Curitiba e no Rio de Janeiro em relação ao número de habitantes é quase a mesma. Na capital fluminense, foi registrada uma morte para cada 225 mil moradores. Na capital do Paraná, uma morte para cada 264 mil habitantes.
Os casos mais recentes, em Curitiba, são da menina Daniele Rabello Campos, de quatro anos, atingida na cabeça por um disparo que partiu de um confronto entre gangues rivais, no bairro Cajuru, e da costureira Vanira da Costa, 60 anos, também baleada na cabeça, dentro de casa, no bairro Tarumã.
Na semana passada, David de Oliveira Pompeo, apresentou-se à polícia. Ele seria o autor do disparo que matou Daniele. No caso da costureira, a polícia trabalha com duas hipóteses: a de que o disparo teria como alvo outra pessoa da família ou um homem que teria fugido de uma perseguição e se escondido no terreno da casa da vítima.
Inconformado com a morte da filha Daniele, o mecânico de elevadores Lourenço Rabello Campos defende policiamento ostensivo para inibir a ação de gangues e leis mais rígidas para ''eliminar o vandalismo''. Ele criticou a política de segurança pública do atual governo e disse que está abraçando a idéia de um deputado estadual que lançou o projeto ''Curitiba sem violência'' na tentativa de reduzir os índices de criminalidade. ''Se nós curitibanos, paranaenses não fizermos alguma coisa, Curitiba vai ser pior que o Rio de Janeiro e São Paulo'', declarou.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que lamenta as mortes que aconteceram em Curitiba por bala perdida e que reconhece que esse é um problema novo para o Paraná. Ele acredita que os casos são consequência da formação de gangues na Grande Curitiba. A Polícia Militar já identificou algumas das gangues e está fazendo um trabalho ostensivo para coibir a ação desses marginais. ''Não é uma tarefa simples, mas a secretaria está levando a sério o problema e espera apresentar bons resultados num breve espaço de tempo.''

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