Foram acidentais as mortes do bancário aposentado Valter Fernandes, 61 anos,
e seu filho José Erico Fernandes, 21 anos. A conclusão consta do laudo pericial que foi entregue ontem à delegada Waldete Testoni, responsável pela investigação do caso. Pai e filho caíram do 13º andar do Edifício Tókio, no centro de Londrina, no sábado.
O documento foi elaborado pelos peritos Luís Noboro Marukawa e Luiz Clemente Viana Franco, do Instituto de Criminalística de Londrina. Eles concluíram que os corpos deixaram a mureta ao mesmo tempo, provocando impacto inicial único no solo. Também afirmaram que a caída foi rente à parede do prédio e sem indícios de impulsão, indicando queda acidental.
‘‘Há uma marca do chinelo usado por um dos dois na sacada do 12º andar, confirmando que a queda foi muito próxima à parede. Também não existem marcas de impulso na mureta, eliminando a possibilidade de um pulo voluntário. As mortes foram acidentais’’, afirmou Noboro.
Sobre os motivos da presença deles na sacada, só existem suposições. A hipótese mais provável aponta que José Erico estaria na mureta com idéias suicidas ou para chamar a atenção do pai, que foi até lá para dissuadí-lo. Enquanto conversavam, um dos dois se desequilibrou e provocou o acidente. ‘‘Nós, inclusive, verificamos um amassamento na mureta resultante do apoio das mãos, que indica tentativa de sair do local’’, completou o perito.
O maior mistério do caso diz respeito aos objetos encontrados no salão de festas do edifício, onde aconteceu o acidente. A perícia verificou que havia um balde com água, pó de café, papel queimado e tinta vermelha proveniente de uma farda militar retalhada da antiga União Soviética, além de um quepe e uma boina do mesmo uniforme.
Todos estes ítens estavam guardados em um saco de lixo na parte interna do lugar. Também encontraram cobertores e travesseiros vindos da casa da família, indicando que alguém havia descansado no local. ‘‘Só as vítimas poderiam nos explicar o que realmente aconteceu’’, ressaltou Luís Noboro.
A delegada Waldete Testoni aceitou as explicações do laudo, mas vai continuar investigando o caso. Na manhã de ontem, ela ouviu o depoimento da dona de casa Aparecida Martins Fernandes, mãe e esposa das vítimas, que se mostrou chocada com o acontecimento.
‘‘Ela afirmou que a família era muito unida e o filho sempre conversava com os pais sobre seus problemas. Ele, inclusive, deixou de acompanhar a mãe até Apucarana na sexta-feira para ir com Valter a uma exposição de selos. Aparecida falou com eles por telefone na sexta-feira à noite e tudo parecia estar sob controle’’, conta a delegada.
A dona-de-casa relatou que a farda encontrada pela polícia era objeto de muita estima do marido, um colecionador de antiguidades. Ubirajara Alexandrino e Ivanir Aparecido Arruda, respectivamente síndico e porteiro do edifício Tókio, também prestaram depoimento ontem. Eles disseram que pai e filho eram pessoas muito tranquilas e pareciam se entender bem.

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