Mortes em Jacarezinho ainda são mistério
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de maio de 2007
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
A Polícia Civil de Jacarezinho pediu mais 30 dias para complementar o inquérito sobre a morte de três funcionários na indústria de processamento de bílis de boi BBA (Brazilian Bile Acid). O acidente ocorreu no dia 3 de janeiro deste ano e ainda não foi esclarecido.
À época, a versão divulgada com base no relato de testemunhas foi de que o auxiliar de produção Ênio Gonçalves de Oliveira, 24 anos, teria passado mal e caído num tanque de destilação de água de aproximadamente cinco metros. Outros dois operários, Carlos Alberto Pereira, 29 anos, cunhado de Oliveira, e Fernando Bitencourt Campos, 33 anos, teriam entrado no reservatório para tentar salvá-lo. Todos morreram de provável intoxicação.
Segundo o delegado-chefe da 12 Subdivisão Policial (SDP), João Eduardo Carula, as evidências apuradas até agora nos autos policiais apontam que Oliveira não teria caído, mas sim entrado no tanque para fazer uma limpeza. A direção da BBA, conforme Carula, continua sustentando a informação dada à FOLHA no dia seguinte ao acidente: a empresa não deu ordens para que nenhum funcionário entrasse naquele local.
''Estamos apurando homicídio culposo (sem intenção de matar). É preciso confirmar se houve negligência, imprudência ou imperícia por parte dos responsáveis pela empresa'', afirmou. Segundo ele, o inquérito ''foi dado por concluso e enviado ao Ministério Público (MP), que entendeu necessário ouvir mais algumas pessoas''. O caso retornou à 12 SDP. Na última sexta-feira, a polícia conseguiu mais 30 dias de prazo.
O MP também solicitou um parecer da Delegacia do Trabalho sobre normas de segurança e um laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicando se as substâncias contidas no local do acidente eram nocivas à saúde. Logo no início das diligências, ficou constatado que a causa das mortes foi ''asfixia por inalação de líquido venenoso'', mas a natureza do líquido era desconhecida.
Michaela Miranda, viúva de Campos, disse estar convencida de que houve falha de segurança por parte da empresa. Ela comentou que a empresa ofereceu um acordo indenizatório para as famílias das vítimas, mas preferiu não divulgar o valor.


