Mortes dependem de laudos
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de julho de 2000
Marcos Zanatta De Maringá e Sid Sauer De Campo Mourão 
As supostas mortes por hipotermia na região de Maringá ainda dependem de confirmação de laudos técnicos. O que está confirmado, segundo funcionários do IML de Maringá, é que em nenhum dos quatro casos atendidos desde junho houve violência. O primeiro registro, no dia 19 de junho, foi do desempregado Sebastião Gomes Nogueira, 49 anos, encontrado morto em uma praça de Sarandi (7 km a leste de Maringá). Na noite daquele dia a mínima foi de 8,1 graus. Na última quarta-feira, quando a mínima da madrugada foi de 6 graus, foram dois casos inicialmente suspeitos, mas já descartados pelo IML.
O primeiro foi o andarilho José Barbosa dos Santos, 43 anos, encontrado morto em um terreno baldio no centro de Maringá. O laudo do IML aponta acidente vascular cerebral, causado pela hipertensão arterial, como causa da morte. Na mesma madrugada, em Uniflor (49 km ao norte de Maringá), o lavrador Anísio dos Santos, 70 anos, foi encontrado morto na casa onde morava sozinho, na zona rural do município. Segundo o delegado da cidade, Milton Barbosa, Santos era alcóolatra, foi encontrado vestido apenas com uma calça e uma camisa a poucos metros da cama.
O delegado acredita que Santos tenha caído sem alcançar a cama e o frio ajudado a matar. O IML de Maringá ainda não tem o laudo da morte do lavrador, já que depende de exames complementares que estão sendo realizados em Curitiba. O último caso suspeito foi registrado em Nova Esperança (35 km a noroeste de Maringá), na quinta-feira. O lavrador José de Jesus Silva, 44 anos, foi encontrado morto na casa onde morava sozinho, na periferia da cidade. A polícia e o IML de Paranavaí, que atende a cidade, não registraram o fato. O serviço funerário da cidade, no entanto, informou que a causa da morte foi traumatismo craniano.
Barbosa Ferraz Em Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão), a morte do bóia-fria Tarcísio Raimundo Machado, 63 anos, na quarta-feira, deve ter sido mesmo provocada pelo frio. A informação, ainda extra-oficial, é de fontes ligadas ao Instituto Médico-Legal (IML) de Campo Mourão. Até ontem, no entanto, ainda não havia sido feita a certidão de óbito com a causa oficial da morte dele. A funerária que atendeu o caso está aguardando um atestado do IML.
Machado era separado e morava sozinho numa casa na Vila do Roque, um bairro pobre de Barbosa Ferraz. Segundo informações obtidas na cidade, ele tinha uma saúde frágil e costumava se embriagar. Na quarta-feira à noite, Machado estava bêbado e não conseguiu chegar em casa. Caiu na rua, a cerca de 300 metros de casa, e só foi encontrado, já morto, na quinta-feira pela manhã. O corpo foi enviado ao IML a pedido do delegado da cidade, Cristiano Yassaka.
Havia comentários de que ele pudesse ter sido espancado, conta o delegado. Mas isso não aconteceu porque não havia nenhum hematoma pelo corpo. Com a informação de que a morte não foi provocada por outra pessoa, Yassaka não abriu inquérito sobre a morte. Com isso, o IML não precisa emitir um laudo a respeito. O órgão vai fazer apenas um atestado para poder ser emitida a certidão de óbito.


