Mortes amedrontam moradores de Sertanópolis
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quinta-feira, 10 de julho de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Sertanópolis - Em menos de 24 horas, três homicídios em Sertanópolis (Norte). Desde o começo do ano, dez - o dobro do registrado durante todo o ano de 2007. Os números da crescente violência, segundo os moradores e a própria Polícia Civil, são resultado de uma disputa entre grupos de traficantes de drogas. Transitando pelas ruas da cidade de 16 mil habitantes, é fácil perceber que os moradores estão com medo. Muitos evitam falar no assunto e ninguém quer se identificar.
Um duplo homicídio aconteceu por volta das 22h40 de anteontem, na PR-323, em frente a um bar que pertencia a uma das vítimas, Maria Helena dos Santos, 53 anos. Ela foi morta com dois disparos de arma de fogo na região do pescoço. No momento do crime ela conversava com a segunda vítima, Wellington Aparecido Batista, 19. Ele foi executado com cerca de dez tiros. Ontem, por volta das 13 horas, Eder Luis Ferreira de Andrade, 24, foi morto com diversos tiros, na Rua Luis Babuja, no Conjunto Amâncio Seco.
O delegado do município, José Vitor Silva Pinhão, disse que Maria Helena havia saído da cadeia na última sexta-feira - ela tinha sido presa por receptação. No final da manhã, a polícia encontrou três quilos de maconha escondidos em um terreno em frente à casa da vítima.
Batista tinha diversas passagens pela polícia por tráfico de drogas. Andrade, a terceira vítima, havia sido solto em 23 de maio, quando foi preso por tentativa de roubo. Até ontem à tarde não havia nenhuma pista dos assassinos.
O medo está ''calando'' os munícipes. Durante o velório de Maria Helena e Batista, nenhum familiar quis comentar o assunto. ''De uns dois anos pra cá a cidade está um terror. A gente não sai mais durante a noite. Tememos pelas nossas crianças. Até os professores das escolas estão pedindo para a gente levar e buscar nossos filhos pessoalmente para que eles não sejam abordados por traficantes'', comentou uma moradora.
Um grupo de jovens disse à reportagem que a violência é consequência de uma briga de duas gangues de traficantes de drogas. Segundo eles, os integrantes das gangues são conhecidos. ''Tem gente daqui, de Londrina, até do Rio de Janeiro. Desde o começo do ano estamos escutando uma conversa de que tinha uma lista de gente que ia morrer. De lá pra cá, todo dia, praticamente, tem gente sendo baleado'', disse um rapaz.
O delegado confirma a existência de grupos de traficantes que estão ''disputando'' espaço para a comercialização dos entorpecentes. ''Está tudo relacionado ao tráfico de drogas. Sabemos que existem muitos adolescentes envolvidos, mas está muito difícil conseguir parar com tudo isso e prender as pessoas certas porque as vítimas não colaboram com as informações'', afirmou. ''Uma das linhas de investigação que temos é que a Maria Helena poderia estar devendo algo a alguém e a morte do rapaz seria uma queima de arquivo'', acrescentou.
Ainda segundo o delegado, a falta de efetivo e a dificuldade na apuração das informações pela ausência de testemunhas são os principais problemas. ''Trabalhamos aqui com quatro investigadores, um escrivão e um delegado. A delegacia tem capacidade para dez, mas estamos com 30 presos e todo dia chega mais. Está difícil trabalhar assim. Já teve gente que chegou a denunciar acusados e depois voltar aqui e dizer que não viu nada, por medo'', disse.
Na tarde de ontem policiais militares de Sertanópolis prenderam dois rapazes armados que são suspeitos dos últimos três homicídios. Eles estavam escondidos em uma residência e foram levados para a delegacia, onde foram autuados por homicídio, porte ilegal de armas e resistência à prisão. (Colaborou Wilhan Santin)


