O 29º Congresso Paranaense de Cardiologia, que começa hoje e prossegue até sábado no Centro de Convenções do Hotel Sumatra, em Londrina, vai discutir como tema central uma das maiores preocupações dos médicos na atualidade: a morte súbita. O assunto foi escolhido, segundo o cardiologista Cláudio José Fuganti, presidente do congresso, porque as doenças cardiovasculares são uma das que mais matam no mundo. ‘‘Londrina é hoje, através do Hospital Universitário, um dos dez centros de referência nacional em treinamento de pessoal para atendimento de paradas cardíacas’’, diz.
A morte súbita, segundo o cardiologista, é um termo usado para diferenciar as mortes por parada cardíaca que ocorrem inesperadamente daquelas já assistidas por médicos, em hospitais – por exemplo. ‘‘Na morte súbita, o tempo compreendido entre o início dos sintomas até a parada cardíaca é de apenas 24 horas’’, explica. De acordo com Fuganti, no Brasil ainda não existem estatísticas que apontem a gravidade da situação. ‘‘Mas nos Estados Unidos, a cada um milhão de mortes por doenças cardiovasculares, 500 mil são causadas por doenças coronárias e 250 mil são morte súbita’’, aponta.
Para Fuganti, o principal é que a maioria dos casos de parada cardíaca não precisaria terminar em morte, se a pessoa fosse atendida nos oito primeiros minutos. Nos Estados Unidos, cita ele, em 40% dos casos há ressuscitações bem-sucedidas. ‘‘Em Londrina, de cada 100 casos, apenas dois são salvos’’, garante.
Segundo o cardiologista, o quadro poderia ser revertido se fossem criadas condições para um atendimento rápido. De acordo com ele, para isso seria preciso treinar o maior número possível de pessoas para prestar o suporte básico de vida, além de espalhar aparelhos desfribiladores automáticos externos – com pessoas que saibam utilizá-lo – nos principais pontos da cidade e um serviço de emergência que pudesse ser facilmente acionado. ‘‘O Siate, por exemplo, é referência em traumas. Mas não tem condições de atender emergências clínicas do tipo’’, diz. Segundo ele, na maioria das cidades o serviço até existe, mas é oferecido apenas para atendimentos particulares e convênios.
‘‘Um investimento nesta área até não seria tão caro, se fosse aperfeiçoada a estrutura que o Siate tem e se houvesse a participação de empresários, comprando o desfribilador e mantendo gente treinada para dar suporte básico de vida. Há um curso que é ministrado gratuitamente no Hospital Universitário e que qualquer leigo pode fazer’’, afirma. Um desfribilador custa, em média, R$ 5 mil.

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