Marcos NegriniMelhoradoLocal onde ocorreu o acidente, sinalizado graças à cobrança de parentes de uma das vítimasO mecânico Sandro Garcia Gimenes, 24 anos, vai a juri popular na quarta-feira da semana que vem em Maringá, acusado de atropelar e matar duas pessoas na Avenida Colombo em abril de 1996. Será o primeiro juri popular da cidade por causa de morte no trânsito. O pedido de julgamento pelo tribunal do juri foi acatado em agosto do ano passado pelo juiz Carlos Olivir Oldakowski, da 3ª Vara Criminal. Se for condenado por homicídio doloso, como pede a acusação, Gimenes pode pegar até 20 anos de detenção.
Segundo o juiz, o pedido de juri popular foi acatado com base no depoimento de Gimenes. Ele declarou ao juiz que conhecia o local do acidente, que gosta de velocidade e perigo, e admitiu que estava desenvolvendo velocidade acima do permitido. O máximo na época do acidente no trecho era de 60 quilômetros por hora. Segundo laudo da Polícia Militar, o carro dirigido por Gimenes estava a 105 quilômetros por hora.
O mecânico afirmou ainda em depoimento que viu apenas uma das vítimas atropeladas e que ela ficou com o corpo preso no carro, um Kadet placas AEU 2880, de Maringá, de propriedade do ex-patrão de Gimenes.
O atropelamento aconteceu por volta das 19 horas do dia 24 de abril de 96, entre as avenidas São Paulo e Pedro Taques. O aposentado Nelson Fávero, 53 anos, e o pedreiro José Carlos Alves, 31 anos, foram colhidos pelo veículo quando subiam no canteiro central da avenida.
Testemunhas disseram que o Kadet dirigido por Gimenes fazia um ‘‘racha’’ com um Passat branco, que fugiu do local. O mecânico nega que participava de racha, e diz que fugiu porque foi ameaçado por populares.
O laudo do polícia aponta que o Kadet deixou uma marca de freada de 47 metros em diagonal antes de atropelar as duas vítimas, e depois ainda freou outros oito metros antes de parar. A freada em diagonal possivelmente mostra que o Kadet saiu de trás de outro veículo.
Parentes de Fávero cobraram a instalação de um quebra-molas no local por mais de um ano. Somente no final de julho do ano passado a prefeitura instalou o redutor no local onde aconteceu o atropelamento.

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