MORTE NO CIAADI - Padre Roque ouviu boatos sobre homicídio
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O secretário de Estado de Trabalho, Emprego e Promoção Social, padre Roque Zimmerman, disse ontem à Folha que quando esteve no Ciaadi de Londrina, em visita realizada na última sexta-feira, ouviu comentários de que um assassinato aconteceria em breve na unidade. ''Havia uma conversa entre alguns funcionários e mesmo entre gente da imprensa de que estava para acontecer uma morte por lá'', disse Zimmerman. ''Mas foram comentários tão vagos que não consegui pegar o fio da meada. Numa situação como essa, se você faz alarde, fica pior''.
Na noite do último sábado, o adolescente Diego Henrique Marra Sales, de 15 anos, foi assassinado no Ciaadi. Ele teria sido asfixiado com um cobertor pelos companheiros de cela.
O secretário defendeu que todas as ''providências iniciais'' foram tomadas para investigar as circunstâncias do homicídio. ''Muitas vezes mortes como esta são arquitetadas do lado de fora da unidade'', comentou Zimmerman. Ele apontou que a secretaria vai apurar se os funcionários do Ciaadi poderiam ter evitado a tragédia de sábado.
''Pelo que fiquei sabendo, só havia um educador no centro na noite do crime. Mas mesmo que houvesse mais gente, acho que não seria possível fazer grande coisa'', disse ele. Zimmerman afirmou que existe a possibilidade de reforçar a segurança no Ciaadi, mas fez ressalvas.
''Nunca tinha acontecido nada parecido no local, então não sei se é necessário mudar alguma coisa. É uma unidade em que os adolescentes ficam pouco tempo. Não sei se colocar sistema de segurança com vídeo vai resolver alguma coisa. Nesta ocorrência de sábado, por exemplo, o menino foi morto dentro da cela. Se você colocar uma câmera (na cela), a primeira coisa que os adolescentes vão fazer é quebrá-la'', argumentou.
Zimmerman alegou que o governo está empenhado na tarefa de melhorar a situação das unidades de internamento de adolescentes. ''Estamos qualificando os funcionários, mudando o trabalho psicológico e pedagógico e buscando oferecer um atendimento melhor. Mas os resultados não aparecem da noite para o dia'', disse o secretário.
A Folha tentou falar com o governador Roberto Requião (PMDB) sobre a situação do Ciaadi, mas não obteve êxito. O assessor de imprensa Benedito Pires se recusou a agendar uma entrevista com o governador. ''Os representantes do Iasp e o secretário de Trabalho, Emprego e Promoção Social é que devem se pronunciar sobre o assunto'', disse Pires. A presidente do Iasp, Thelma de Oliveira, não retornou o recado deixado pela reportagem.


