Morte foi por vingança, diz acusado
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quinta-feira, 20 de novembro de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
O desempregado Rosemar Costa dos Santos, 22 anos, confessou ontem à tarde, em depoimento à delegada de Cambé, Geane Aparecida Felício dos Santos, que abusou sexualmente e ajudou a matar o menor Márcio dos Santos, 10 anos. O crime ocorreu no dia 7 de abril em uma mata nas proximidades da empresa Bratac, naquela cidade. O corpo foi encontrado dois dias depois. Rosemar diz que apenas fez sexo anal com a vítima. No entanto acusou um travesti de Cornélio Procópio, conhecido por Reginaldo, de ser o principal responsável pela morte do menino. Ele fez tudo com a criança e depois a matou a pauladas. Eu somente ajudei a esconder o corpo em capim alto, disse Rosemar, que teve prisão preventiva determinada pela Justiça.
O acusado foi preso na segunda-feira em Presidente Prudente (SP), depois de bater em sua mulher, que está grávida. Ele havia fugido para lá com a mulher depois de passar por Sorocaba (SP). O casal estava embriagado na rodoviária de Pesidente Prudente quando houve a confusão. Os dois foram levados para a delegacia e a mulher disse aos policiais que Rosemar havia cometido o crime. Ele foi levado para Cambé no final da tarde de terça-feira. Ontem pela manhã foi feita a reconstituição do crime. O seu depoimento na delegacia foi acompanhado pelo Ministério Público de Cambé.
Rosemar não nega que foi o mentor do crime. Eu queria me vingar do pai do menino. Só porque eu dormia na rua e brigava com minha mãe ele me chamava de vagabundo. Um dia fui pedir um servicinho para ele e mais uma vez me chamou de vagabundo. Senti muita raiva e prometi me vingar, contou. O pai do menino, João Devides Filho, mora com a família no conjunto Ana Rosa, em Cambé. O acusado disse que já morou com o travesti em Cornélio Procópio e pediu para ele vir a Cambé para ajudá-lo na vingança contra João Devides. Rosemar confessou ter convencido o menor a acompanhá-lo, argumentando que iria colher pimenta para a mãe. Pensei somente em fazer sexo com o menino. O Reginaldo já estava esperando nós lá. Eu não nego que fui o primeiro a abusar da criança. Depois, foi o Reginaldo. Eu não queria que ele matasse.
Segundo o acusado, o travesti deu três pauladas no menino e o estrangulou. Ele alegou que seria impossível impedir que o travesti cometesse o assassinato. Ele é forte e alto. Ninguém segura aquele cara. Tenho certeza que ele vai me matar.


