Isabel Ferreira, 17 anos, foi velada ontem na casa onde morava, no Parque Bom Retiro (região central de Londrina), sob clima de forte indignação. A jovem morreu anteontem, por volta das 18 horas, afogada no Córrego Bom Retiro, que fica a menos de 50 metros de sua residência. Parentes e amigos de Isabel acusaram a prefeitura e a Sanepar de não tomar providências para melhorar a segurança no local. Segundo a estudante Adgle Nalissa, 13 anos, cinco pessoas já morreram no córrego nos últimos anos. Todas as vítimas seriam adolescentes ou crianças.
''Já morreu até uma criança de três anos aí'', disse a jovem, que testemunhou o acidente de anteontem. Adgle relata que foi ao córrego com outra amiga e Isabel para pegar água. A vítima teria se distraído e deixado o balde ser levado até uma região onde o nível da água era mais fundo. ''A Isabel foi pegar o balde, o pé dela afundou num pedaço onde a terra estava mole e ela tombou. Tentando se salvar, ela me puxou junto'', disse Adgle.
A amiga que estava com as duas jovens pulou na água e conseguiu salvar Adgle. Em seguida, voltou para buscar Isabel, mas não conseguiu. Uma vizinha retirou a jovem do córrego e a equipe do Siate ainda tentou a reanimação cardio-pulmonar, mas sem sucesso. Os vizinhos criticaram a Sanepar por ter cortado a água na casa de Isabel, o que estaria obrigando a jovem a buscar água no córrego. Ela não sabia nadar.
Os moradores da região relatam que o problema é que o pedaço do córrego que passa pelo bairro não é canalizado, o que provoca enchentes em dias de chuva e faz com que o nível da água fique mais fundo em certos trechos. ''Também tem que colocar pontes. A gente tem que atravessar de um lado pro outro por cima dos tubos e fica muito perigoso'', afirmou a dona de casa Deisi Bernardino. O local também é sujo e o mato é alto próximo ao local.
Ontem à tarde, a pedido do Ministério Público (MP), a água foi religada na casa de Isabel. Na próxima quarta-feira, será realizado um encontro entre representantes dos moradores, MP, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), secretarias municipais de Obras e de Assistência Social, Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Cohab, e Sanepar para discutir soluções para a falta de segurança na área.
O gerente metropolitano de receita da Sanepar, Oscar Fernandes, disse ontem que a empresa não é responsável pela região. ''Tínhamos uma subestação na área, mas ela está desativada há anos. Nosso trabalho é tratamento de água e esgoto, e essa questão não é nem uma coisa nem outra'', defendeu. Fernandes lamentou o acidente, mas disse que considera ''injusto'' que os moradores atribuam a morte ao fato da Sanepar ter desligado a água na casa da vítima. ''A empresa negocia com todo mundo que não pode pagar as tarifas. E naquele bairro os moradores pegam água no Córrego, independente da água estar ligada ou não'', disse o gerente.
O secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, disse ontem que a prefeitura já pediu formalmente à Sanepar para que devolva a área ao município, o que ainda não aconteceu. Ele apontou que aquela região será recuperada apenas após a revitalização da área do Centro Social Urbano, na Vila Portuguesa, que deve ser licitada no início do próximo ano e concluída ao final do primeiro semestre.

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