Morte em ambulância revolta família
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quarta-feira, 26 de novembro de 1997
Londrina 
Fatalidade, sucessão de erros, demora no diagnóstico, reflexo da precariedade do sistema de saúde ou uma mistura de todos estes fatores? As perguntas ainda atormentam a professora e advogada Josmeri Fitipaldi Calixto, de Ivaiporã, cuja mãe, a aposentada Jonadir, de 65 anos, morreu dia 15, a caminho de Londrina. A ambulância da Santa Casa de Cornélio Procópio em que ela era transportada teve um problema elétrico - entrou água no radiador - e parou na pista. Dona Jonadir respirava com a ajuda de aparelhos e, segundo a família, morreu logo após ser transferida da ambulância de Cornélio para outra do Siate (Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência), de Londrina.
Não quero que o meu pior inimigo passe pelo que eu passei, diz Josmeri, inconformada. É traumatizante ver sua mãe morrendo dentro de uma ambulância quebrada, completa a professora. O veículo ficou parado na pista - próximo à rotatória da via Expressa, na entrada de Londrina - por aproximadamente 30 minutos. Como o problema elétrico não foi resolvido, os familiares que seguiam atrás da ambulância, resolveram acionar o Siate, que chegou, segundo a professora, dez minutos após o chamado. Chovia muito.
Isso não podia ter acontecido, diz a filha, estarrecida. Ela conta que a mãe teve um problema respiratório na semana passada e procurou a Santa Casa de Cornélio no sábado, dia 8, onde tomou soro e foi liberada. No domingo, dona Jonadir voltou ao hospital, foi novamente submetida a uma dose de soro e liberada em seguida. Dia 12, ela foi internada com infecção generalizada no hospital Cristo Rei (particular) e transferida à noite para a Santa Casa de Cornélio, já que o Cristo Rei não dispõe de UTI e ela necessitava ser internada na Unidade de Terapia Intensiva.
A professora acredita que se o real diagnóstico sobre a saúde da mãe tivesse sido feito a tempo, a família não estaria vivendo esse drama. Tudo começou com uma falta de ar e uma infecção intestinal aguda, mas ela só foi medicada com soro, relata. O atestado de óbito, assinado pelo médico Cláudio Queniti Hirai, que acompanhava dona Jonadir na ambulância, aponta três fatores como causa da morte: síndrome da angústia respiratória do adulto, septicemia (infecção generalizada) e gastroenterocolite aguda.
A professora conta que a remoção da mãe para Londrina foi feita a pedido da equipe médica da Santa Casa de Cornélio, onde dona Jonadir ficou internada nos dias 13 e 14. De acordo com a filha, os médicos informaram que em Londrina equipamentos mais modernos poderiam auxiliar na recuperação da paciente. Os médicos informaram que a transferência poderia oferecer risco de vida, mas ninguém contava que a ambulância fosse pifar. Ela saiu lúcida de Cornélio e chegou morta. Além do mais, tivemos a informação de que o oxigênio na ambulância estava acabando. Esse tipo de coisa não podia acontecer. Nada justifica.
Ela diz que o tratamento foi todo particular. Quando o Evangélico de Londrina foi acionado para a transferência, recebemos a informação em Cornélio de que não havia vagas. Quando nos dispusemos a pagar, arrumaram a vaga na hora, relata o marido Josmeri, o representante comercial Roberto Calixto,
A professora não pretende acionar a Justiça contra a Santa Casa de Cornélio, nem pensa em requerer indenização. Mas faz questão de tornar o caso público. Ela diz que o médico Cláudio Hirai e a enfermeira que acompanhavam a mãe na ambulância prestaram toda assistência necessária. Ela também diz que o Siate e a equipe do hospital Cristo Rei prestaram atendimento adequado. Quero registrar o nosso drama como uma forma de alerta. E olha que o tratamento foi todo particular. Se a gente não pudesse pagar ela provavelmente não teria nem chegado a dar entrada no hospital, revolta-se a professora.


