Morte de Zanella foi uma grande farsa
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Dary Júnior, 
da Sucursal
De testemunha de uma operação anti-tráfico, o funcionário público Almiro Schmidt agora é o principal suspeito de ter matado o estudante Rafael Zanella, 20 anos, quarta-feira passada, em Curitiba. Detalhe: os 500 gramas de maconha encontrados no Escort do rapaz provalmente foram colocados ali pelos agentes do 12º Distrito Policial para justificar a morte do estudante. Ainda precisamos localizar o acusado, mas estou quase certo de que tudo não passou de uma grande farsa, conclui o delegado Gílson Algauer, que investiga o caso.
Segundo Algauer, a operação policial totalmente irregular. Os policiais usaram iscas para chegar aos supostos traficantes e foram acompanhados por dois estranhos na abordagem, revela. Além de Schmidt, relacionado antes como testemunha da apreensão de maconha, um homem conhecido apenas por Guilherme estava com o agente Reinaldo Siduovski quando o carro de Zanella foi abordado. O delegado conta que só obteve essas informações porque um dos três rapazes presos na ocasião, Marcos Valduga, resolveu falar.
Inicialmente disposto a depor apenas em juízo, Valduga mudou de idéia ao ser convencido por Algauer da importância de solucionar o caso rapidamente. O rapaz então apontou Schmidt como o autor do disparo e garantiu que não presenciou a revista no carro, onde a maconha estaria escondida. Além dele, Wilson Gevaerd e Odair Ferreira da Silva estão detidos no 6º DP. O Ministério Público já anunciou que vai pedir a liberdade provisória de todos eles.
Esses rapazes foram vítimas de um flagrante nebuloso, feito por policiais despreparados, justifica o procurador de Justiça Dartagnan Abilhoa. O diretor geral da Polícia Civil, Artur Braga, promete rigor na punição aos agentes envolvidos (Reinaldo Siduovski, Airton Adonski Júnior e Jorge Bressan): Confirmadas as suspeitas, eles devem ser responsabilizados criminal e administrativamente.
Ontem à tarde foram apresentados os laudos dos Institutos Médico Legal e de Criminalística. O diretor do IML, Francisco Moraes e Silva, confirmou que a cena da morte de Zanella foi mexida antes da perícia. O estudante levou um tiro no lado esquerdo da cabeça, seis centímetros acima da orelha. A bala abriu um buraco de nove milímetros e ficou alojada no cérebro. O projétil não se relaciona com qualquer uma das três armas (dois revólveres e uma metralhadora) entregues pelos policiais do 12º DP.


