Morte de Zanella completa cinco anos
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segunda-feira, 27 de maio de 2002
Luciana PomboEquipe da Folha 
Curitiba - A morte do estudante Rafael Zanella completa hoje cinco anos. Ele foi assassinado em maio de 1997, no bairro Santa Felicidade, em Curitiba. O estudante teria sido confundido com traficante de drogas. Após atirar e matar Rafael, os policiais civis tentaram mascarar o acidente. Eles colocaram drogas no carro do estudante e armas. A intenção era simular um tiroteio. A farsa foi descoberta e hoje, cinco anos depois, três dos oito acusados de participação no crime estão presos.
Dois deles, os investigadores Airton Adonski e Reinaldo Sideroski vão retornar a julgamento no dia 4 de junho. Eles estavam junto com a equipe policial que realizou a blitz desastrada. Os investigadores já foram julgados e condenados, mas os advogados de defesa entraram com um recurso pedindo novo julgamento. Eles foram condenados por homicídio, mas não foram os autores dos disparos. O Tribunal de Justiça (TJ) deu provimento a alegação dos advogados e remarcou o julgamento para avaliação da pena que foi de 38 anos para o Adonski e 21 anos para Sideroski.
Apesar dos advogados de defesa tentarem qualificar o crime como sendo de alteração do local e tortura psicológica, a acusação vai insistir na condenação por homicídio. É o último recurso para eles. Se eles forem novamente condenados por homicídio, não poderão mais recorrer, explicou o advogado Julio Militão, que defende a família de Zanella.
Além dos dois investigadores, o informante Almiro Schmidt que efetuou os disparos também foi condenado e está preso. Ele foi condenado há 21 anos e quatro meses de prisão. Schmidt tentou recorrer da decisão judicial, mas perdeu. O investigador Jorge Bressan Júnior, julgado junto com Schmidt, foi absolvido.
Outros quatro policiais civis ainda não foram julgados. Entre eles, o delegado adjunto do 12º Distrito Policial, Maurício Fowler, acusado de ser o mentor da modificação da cena do crime para justificar o assassinato de Zanella. O superintendentente Daniel Santiago, o escrivão Carlos Henrique Dias e o delegado titular Francisco Costa, também não foram a júri. Eles foram pronunciados para irem a júri, mas recorreram da decisão que fica agora a cargo da Justiça.


