Ricardo Costa/Umuarama IlustradoDestruiçãoAs reformas que já estavam previstas para o minipresídio serão antecipadas; presos quebraram tudo A morte do traficante Joel Fernandes dos Reis, 27 anos, assassinado a tiros por policiais, desencadeou anteontem à noite uma rebelião no minipresídio de Umuarama. Revoltados, os 55 presos queimaram colchões e roupas e quebraram tudo dentro das celas. Eles acusavam a Polícia de ter executado o preso, que seria transferido para Cruzeiro do Oeste (29 quilômetros a leste de Umuarama).
A rebelião começou por volta das 18 horas e só foi contida perto da meia-noite, depois que o juiz corregedor do minipresídio, Luiz Alberto Marques dos Santos, conversou com os presos. Pelo menos quatro presos ficaram feridos.
O traficante Joel Fernandes dos Reis foi baleado por volta das 10 horas de anteontem dentro do carro da Polícia quando estava sendo levado para a cadeia de Cruzeiro do Oeste. O traficante recebeu três tiros no peito e morreu por volta das 15 horas no Hospital São Lucas, em Umuarama. Segundo a versão dos policiais, o traficante teria conseguido soltar as algemas e atacado um deles com um estoque (arma pontiaguda fabricada com pedaços de metal).
A Polícia não divulgou os nomes dos policiais, que estariam trabalhando normalmente. O delegado-chefe Edson Camargo Barros não quis conversar com a imprensa ontem. Ele determinou a abertura de inquérito para apurar a morte do traficante e passou a tarde reunido com o juiz corregedor Luiz Alberto Marques dos Santos e o promotor Sérgio Cordoni, tratando da transferência dos presos.
Segundo Santos, a maioria dos presos será transferida nos próximos dias para permitir a reforma do minipresídio, que já estava prevista e que agora deverá ser antecipada. No início do ano, o Governo do Estado anunciou a liberação de dinheiro para reformar o prédio que tinha infiltração e outros problemas. Durante a rebelião, os presos quebraram banheiros, paredes, grades e todas as instalações de luz e água.
Preso por homicídio e tráfico de drogas, Joel Reis era apontado como líder dentro do presídio. No domingo ele teria reclamado da falta de água (a cidade inteira ficou sem água por causa do entupimento do sistema de captação da Sanepar, causado pela chuva).
Também presa por tráfico, a namorada de Reis, Terezinha Augusto disse que ele foi morto ‘‘a mando de inimigos, de dentro e de fora da cadeia’’. Os presos fizeram denúncias ao juiz. Santos não quis adiantar as denúncias, apenas garantiu que todas serão investigadas. O juiz está ouvindo todos os presos, um a um.

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